Maria Botelho Moniz ainda está verde

Júlia Pinheiro e Fátima Lopes são imbatíveis naquele período da tarde em que os seus programas lançam os dramas mais pungentes. Seguem os casos com atenção e parecem mesmo comover-se, mas não. Ou não demasiado. Impotentes perante a dor, são como médicos face a doentes incuráveis: recebem-nos com a cara número três, a do pesar profissional, ossos do ofício.

Já a novata Maria Botelho Moniz está ainda verde. E esta semana ficou à beira da apoplexia ao saber, pela boca dos próprios pais, do macabro assassínio do filho. Separado da mulher de quem teve uma criança, o jovem viu a sua casa invadida pela ex-companheira e pelo namorado, que o sovaram e mataram com 17 (!) facadas. Depois, remexeram tudo e simularam um assalto. Vá lá saber-se por que atenuantes, foram condenados a 16 e a 18 anos de prisão – na realidade 13 e 15, graças à libertação obrigatória aos cinco sextos das penas. E o recluso já foi até visto a conviver, em saída precária – obtida por “bom comportamento”, cumpridos quatro (?) dos 16 anos – num café perto da residência dos pais e do filho do homem que brutalmente assassinou.

Maria tem de se habituar, esta é a justiça que temos: branda com os agressores, implacável com as vítimas.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 12set20

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