Marcelo, o Justo

A esquerda que não votou em Marcelo Rebelo de Sousa, e que em boa parte o detesta, arrepiou-se ao vê-lo atribuir a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, a título póstumo, a António Champalimaud. Fez idêntico esgar de desprezo ao de certa direita quando, há dois meses, Marcelo entregou à viúva de Salgueiro Maia a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, com que quis honrar o militar de abril.

E como paga por ser justo o Presidente! Primeiro, por ter interpretado a vontade de muitos portugueses – atrevo-me a escrever da maioria – e ter assumido a gratidão da Pátria ao mais puro dos capitães, aquele que não tremeu quando era imperioso ter coragem e que, despojado de ambições de poder, depressa foi esquecido por muitos dos que lhe devem os novos horizontes que se lhes rasgaram na vida. E agora, por na estupidamente odiada classe dos empresários – odiada, ouso acrescentar, por uma minoria de portugueses – ter sabido distinguir o empreendedor que gera emprego do especulador financeiro que não cria postos de trabalho.

Mais ainda no caso de António Champalimaud, que enriqueceu, caiu e recomeçou, legando ao País, em 2004, a Fundação através da qual devolve à sociedade parte do que ela lhe deu. É bom ter um Presidente assim.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 10SET16

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