Marcelo apoiou Eanes há 40 anos

Com o golpe de 25 de Novembro de 1975 ainda fresco na memória, e com Otelo Saraiva de Carvalho candidato às eleições presidenciais de 27 de Junho de 1976, multiplicavam-se, um mês antes, os apoios à candidatura de Ramalho Eanes, afinal o homem que coordenara a reacção militar às forças que tinham o estratega do 25 de Abril como referência – e que haviam sido derrotadas seis meses antes.

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A comissão nacional de apoio a Eanes integrava personalidades das mais notáveis da sociedade portuguesa, como Sophia de Mello Breyner, Abranches Ferrão, Alexandre O’Neill, Francisco Sousa Tavares, Manuel João da Palma Carlos, Vitorinio Nemésio, Miguel Torga, Norberto Lopes, Raul Solnado, Fernando Lopes ou Vergílio Ferreira.

Mas com a ameaça de Otelo presente – ele viria a obter nas urnas perto de 800 mil votos, contra cerca de 3 milhões de Eanes – tornou-se necessário reforçar o peso da lista da comissão nacional e o Diário Popular de 20 de Maio de 1976 publicava um manifesto de intelectuais subscrito por dezenas de personalidades como Artur Santos Silva, Iva Delgado, Manuel Alegre, Mário Mesquita, Torquato da Luz, Medeiros Ferreira, Vítor Direito ou Vasco Graça Moura. Mas o mais curioso é que, aparentemente recrutados à última hora, já que fechavam a subscrição do manifesto, surgem os nomes de Tomás Taveira, Proença de Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa e o deste modesto escriba, seguidos do de António Ribeiro, o jornalista que me levara para o Jornal Novo e o responsável por esta minha histórica colagem a um futuro Presidente da República. Para o que te havia de dar, António. Almoçamos terça, aponta aí.

Parece que foi ontem, Sábado, 3MAR16

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