Malditos turistas!

Começou por ser uma ou duas e já passa das três: são agora quatro (!) as horas que os turistas que chegam de países fora da União têm de esperar em longas filas, no aeroporto de Lisboa, para se submeterem ao crivo do SEF. É um espectáculo humilhante para quem participa e para quem vê, próprio do Terceiro Mundo que há muito deixámos mas ao qual sempre acabamos por regressar.

Há dias, a caminho do avião, pude verificar que o calvário da entrada na capital não é o único: na saída, as vítimas da lusa hospitalidade têm também de se sujeitar a uma terrível fila em esse, para o controlo fronteiriço. Pelo que vi, nada que se compare com as quatro horas do suplício da chegada. Não, numa horazita, ei-los perante os agentes, coisa leve.

Enquanto se vive o inferno na Portela, o Governo desfruta da tenda de oxigénio das receitas turísticas, que ultrapassaram, em 2016, os mil milhões de euros mensais, e que já tiveram este ano picos superiores a 10%. Eufóricos, os responsáveis da mina anunciam querer duplicar, numa década, os valores atuais – o resto não é com eles.

A culpa deve ser de Passos Coelho, que cortou meios ao SEF, já que em dois anos o atual Executivo ainda não teve tempo de tratar desta maçada dos turistas. O ideal seria até que nos enviassem o dinheiro por transferência bancária e ficassem lá na terra deles! E ninguém se envergonha?

Observador, Sábado, 3AGO17

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