Leitor sportinguista critica Record

Caro Alexandre Pais

Compro e leio diariamente e desde há muitos anos o nosso Record e muito especialmente leio atentamente as suas colunas… Porém, deixe-me fazer uma crítica…

Não ainda há muito tempo li o que disse sobre regras e disciplina para os articulistas, e decerto para demais colaboradores, no jornal onde tem largas responsabilidades… E ao ler há dias o que disse sobre a mesma disciplina e regras que o Sporting CP quer impor deixou-me algo confuso…

É por isso que este clube não é tratado com a mesma respeitabilidade que os demais clubes de Portugal… Muito lamento e de modo nenhum o quero incluir no rol de comentaristas que obcecadamente injuriam e incendeiam aproveitando-se de referências iguaizinhas diga-se antigos dirigentes candidatos derrotados ou sócios mais exaltados…

E sem personalizar lembro dois artigos críticos e pacóvios e Bento discute-se por exemplo… e estou à vontade porque a tal autor por mail disse-lhe quanto de parco é em intelectualidade ou seriedade. porque na verdade leu mal Paul Valery ou Rudyard Kipling…

Para tanto bastava ler um clássico de Kant ou tão simplesmente para existir como comentarista isento e imparcial logo deve pensar e bem… ou fazer por isso… o que por intenção e repetidamente torna-se execrável.

Respeitosamente

A. Samartinho

Parede

Nota da QdoC – Caro António Samartinho, aqui fica o seu reparo com uma saudação especial pelo tom que utiliza.

Compreendo que os adeptos de um clube que é alvo de críticas – vendo bem, não propriamente o clube, mas dirigentes, técnicos ou jogadores –entendam que elas sejam não só injustas como se possam inserir em qualquer campanha contra o seu emblema. Mas, entendendo o desconforto, deixe-me reafirmar que para o Record nenhum clube é merecedor de menos respeito do que outros.

O que nem sempre se consegue evitar é que transpareça essa ideia, seja pela contundência das críticas e mesmo pelo seu possível exagero, seja pela sua repetição ao longo de dias, ou apenas porque elas surjam num momento em que desaires desportivos ou financeiros deixem os seus destinatários – e os leitores que com eles se identifiquem – mais sensíveis à diferença de opiniões.

No dia em que o diretor de um jornal permita que o seu título seja utilizado para campanhas contra um qualquer clube – e por maioria de razões contra um baluarte do desporto português como é o Sporting – o melhor que terá a fazer é ir para casa.

A razão de ser de um diário especializado em desporto é naturalmente o fenómeno desportivo, as suas instituições e os seus agentes. E a missão de um jornalista de Record é, além de divulgar as notícias, dar a sua visão do que acontece e dos problemas que se colocam, criticando ou elogiando, quando for caso disso, as situações que se apresentam e as decisões que lhes deram origem, sempre visando actos e consequências, e não pessoas.

Só quando outros tomem a iniciativa de responder às críticas, justas ou injustas, com ameaças ou com insultos, os jornalistas poderão e deverão reagir. Se pisarmos o risco antes, cometeremos obviamente um erro.

E obrigado pela sua crítica, é um prazer tê-lo como leitor.

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