Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Leitor denuncia tradução errada do espanhol praticada no “Record”. Ah, pois é!…

 

De: no-reply@record.pt [no-reply@record.pt]
Enviado: quinta-feira, 13 de Setembro de 2012 14:40
Para: Record – Internet
Assunto: Artigo Record: aviso de incorreção
vitorlivre enviou-lhe o seguinte aviso de incorreção no seguinte artigo Record:
Iniesta: «Encanta-me a forma de Aimar jogar» Espanhol elogia número 10 encarnado quinta-feira, 13 setembro de 2012, às 08:17
Vão ter a oportunidade de se cruzar esta temporada, quando o Benfica enfrentar o Barcelona na Liga dos Campeões…
Leia o artigo completo em:
http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior.aspx?content_id=777886
Comentário:
Meus amigos: um texto ou uma declaração num idioma estrangeiro, no caso muito próximo do nosso, nem sempre pode traduzir-se à letra. Em castelhano, a palavra “encantado” tem aceções diferentes às que o mesmo termo acolhe na nossa língua. E neste caso não quer dizer “encanto” mas apreciação, gosto: «Gosto da maneira como joga o Aimar», é uma tradução possível.
Os senhores jornalistas – refiro-me aos jornalistas em geral, sobretudo aos do setor do desporto – todos os dias castelhanizam a nossa língua devido à ignorância destas coisas tão básicas e à da nossa própria fala. – Reparem por exemplo como usam e abusam do termo “cantera” e sem ter o cuidado de lhe colocar aspas. Eu vivo no País Valenciano. E até os jornalistas da rádio e televisão valencianas traduzem esse termo de Castela por “pedrera”, a tradução em catalão/valenciano. Os senhores não traduzem, julgo eu, porque nem sequer sabem a tradução do termo em português. Pois é “pedreira” meus senhores! Mas nós, os portugueses, temos outra expressão para o mesmo conceito de escola de formação de jogadores. Não precisamos sequer de traduzir à letra o que se diz na “Marca” ou no “Sport”. Os valencianos traduzem por “pedrera” porque modernamente as línguas desta Espanha são satélites do castelhano no que toca aos termos modernos. Traduzem tudo à letra – como fazem vocês! Mas nós somos independentes e possuímos uma língua oficial com séculos de história.
As más traduções são uma porta aberta que leva depois o próprio jornalista, o treinador e o futebolista a falar “portuñol”. Alguém se lembra ainda do que dizia o presidente do sindicato dos jogadores, Sr. Evangelista, sobre o “pressuposto” do Estrela da Amadora. Queria ele dizer “o ORÇAMENTO”. Porém, influenciado pelo termo castelhano “presupuesto” (“orçamento”), o tal senhor utilizava erroneamente essa palavra cujo sentido em português é outro. E nos jornais ninguém dava por nada, reproduzindo alegremente a asneira!
Há pouco tempo eu comentei para um jornal o assunto dos supostos “rivais”. E além do “encantado”, poderia aludir ao “feliz”, aos “eleitos” e a um sem-número de termos e expressões utilizados indevidamente nos jornais por quem parece andar a aprender o português no Instituto Cervantes, em Madrid ou em Buenos Aires. Uma vergonha!
Tenham cuidado com o que escrevem e algum orgulho relativamente à nossa cultura e à vossa própria profissão!


De: no-reply@record.pt [no-reply@record.pt]
Enviado: quinta-feira, 13 de Setembro de 2012 14:40
Para: Record
Assunto: Artigo Record: aviso de incorreção

vitorlivre enviou-lhe o seguinte aviso de incorreção no seguinte artigo Record:

Iniesta: «Encanta-me a forma de Aimar jogar» Espanhol elogia número 10 encarnado quinta-feira, 13 setembro de 2012, às 08:17
Vão ter a oportunidade de se cruzar esta temporada, quando o Benfica enfrentar o Barcelona na Liga dos Campeões…

Leia o artigo completo em:http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior.aspx?content_id=777886

Comentário:

Meus amigos: um texto ou uma declaração num idioma estrangeiro, no caso muito próximo do nosso, nem sempre pode traduzir-se à letra. Em castelhano, a palavra “encantado” tem aceções diferentes às que o mesmo termo acolhe na nossa língua. E neste caso não quer dizer “encanto” mas apreciação, gosto: «Gosto da maneira como joga o Aimar», é uma tradução possível.

Os senhores jornalistas – refiro-me aos jornalistas em geral, sobretudo aos do setor do desporto – todos os dias castelhanizam a nossa língua devido à ignorância destas coisas tão básicas e à da nossa própria fala.

Reparem por exemplo como usam e abusam do termo “cantera” e sem ter o cuidado de lhe colocar aspas. Eu vivo no País Valenciano. E até os jornalistas da rádio e televisão valencianas traduzem esse termo de Castela por “pedrera”, a tradução em catalão/valenciano.

Os senhores não traduzem, julgo eu, porque nem sequer sabem a tradução do termo em português. Pois é “pedreira” meus senhores! Mas nós, os portugueses, temos outra expressão para o mesmo conceito de escola de formação de jogadores. Não precisamos sequer de traduzir à letra o que se diz na “Marca” ou no “Sport”. Os valencianos traduzem por “pedrera” porque modernamente as línguas desta Espanha são satélites do castelhano no que toca aos termos modernos.

Traduzem tudo à letra – como fazem vocês! Mas nós somos independentes e possuímos uma língua oficial com séculos de história.As más traduções são uma porta aberta que leva depois o próprio jornalista, o treinador e o futebolista a falar “portuñol”.

Alguém se lembra ainda do que dizia o presidente do sindicato dos jogadores, Sr. Evangelista, sobre o “pressuposto” do Estrela da Amadora. Queria ele dizer “o ORÇAMENTO”.

Porém, influenciado pelo termo castelhano “presupuesto” (“orçamento”), o tal senhor utilizava erroneamente essa palavra cujo sentido em português é outro. E nos jornais ninguém dava por nada, reproduzindo alegremente a asneira!

Há pouco tempo eu comentei para um jornal o assunto dos supostos “rivais”. E além do “encantado”, poderia aludir ao “feliz”, aos “eleitos” e a um sem-número de termos e expressões utilizados indevidamente nos jornais por quem parece andar a aprender o português no Instituto Cervantes, em Madrid ou em Buenos Aires.

Uma vergonha!Tenham cuidado com o que escrevem e algum orgulho relativamente à nossa cultura e à vossa própria profissão!

Nota da QdoC

Tem este leitor carradas de razão, pelo que espero que os meus camaradas de redação consigam ler este seu reparo com a mesma atenção com que eu o li e se disponham a agir em conformidade. Pelo menos, eu fico com muita “ilusión” de que isso aconteça, esperando que não julguem que é uma ilusão o que fica comigo…