Justiça feita antes de ficar por fazer

Em Julho de 1974, na sequência do decreto-lei 277/74, fui um dos vinte trabalhadores eleitos para a Comissão de Saneamento e Reclassificação da Emissora Nacional, a rádio oficial. Sem formação jurídica, armados em instrutores e com uma legislação que se limitava a apontar generalidades, cedo compreendemos que a montanha iria parir um rato.

Apesar de muito divididos politicamente, encontrámos um denominador comum na necessidade de propor à direcção da estação a suspensão daqueles cujo reconhecido comprometimento com a ditadura se tivesse revelado de modo desnecessário e ostensivo. E a verdade é que um ano depois a comissão deu em nada.

O que ficou, para sempre, foi o peso das suspensões – e do estigma social – que tombou sobre os que foram acusados, alguns de forma persecutória. Dói-me, ainda hoje, o facto de ter participado nessa caricatura de justiça.

Uma comissão que não resistiu ao verão quente

A eleição fez-se por voto secreto em período revolucionário porque o PS tinha mais força na EN – e o apoio de todos os que temiam afirmar-se de direita. Mas a Comissão de Saneamento perdeu-se em fracturas partidárias e autobloqueou-se, não resistindo aos ventos do que viria a ser o 25 de Novembro, que sopravam no verão quente de 1975. E dissolveu-se, a 29 de Agosto, em reunião geral de trabalhadores.

Parece que foi ontem, Sábado, 31JUL14


Quelhas2a

No edifício da EN viveram-se, em 1974, dias dramáticos

 

OSa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sanea

 

Ordem de Serviço que “regulava” os saneamentos e ata de liquidação da Comissão de Saneamento e Reclassificação (folhas de rosto)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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