Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

José Mourinho, um coração de ouro

Não chegou ao Natal. A expressão, que pertence desde que me lembro ao jargão do futebolês, atingiu, desta feita, o alvo improvável: José Mourinho. Mas ao contrário do que se julga, o treinador está na situação atual, a de despedido, porque foi tomado por um inesperado síndrome natalício e ficou com um coração de ouro.

Em 2000, quando treinou o Benfica, depois em Leiria, e até em 2002, nos meses iniciais no FC Porto, Mourinho ainda deixava respirar os que não gostam dele e que alimentavam então a esperança de que a sua carreira não fosse longe. Mas desde os primeiros títulos portistas – em 2002-2003 – eram já 13 os anos de intenso sofrimento que sucessivos êxitos iam infligindo ao exército inimigo, que se sabe numeroso e persistente.

Trata-se de uma tropa que combate predominantemente na selva das redes sociais, muitas vezes a coberto do anonimato ou de nomes que, sendo apenas conhecidos dos primos, são anónimos na mesma. Só contam para o campeonato do insulto. É gente bem armada, que ataca com as armas da inveja, da frustração, da estupidez, do ódio e da perturbação mental.

Disparam também aqui e ali na comunicação social, sempre com uma mão à frente e outra atrás, ou porque quem lhes paga não lhes dá rédea solta ou porque sendo pequeninos não são totalmente desprovidos de raciocínio e já perceberam que no futebol os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Foi aos demónios destes fracassados da vida que Mourinho quis dar uma trégua como presente de Natal – uns trocos para cafés antes de voltarem a ficar com as contas a zero.

Canto direto, Record, 21DEZ15