Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Jorge Jesus: um deus brasileiro

Podíamos falar de Samaris e de Eliseu, como antes de Matic e Javi Garcia, ou apontar uma boa dezena de jogadores que ele valorizou e de que tanto beneficiaram já os cofres do Benfica. Não merece a pena, os méritos de Jorge Jesus são indesmentíveis, ainda que na hora em que as coisas não correm tão bem logo apareçam hienas e urubus a pôr em dúvida o treinador – e igualmente Deus e o divino Espírito Santo.

Fico-me apenas pelos três exemplos que na partida com o Sp. Braga me saltaram aos olhos. O primeiro é Jardel, o mal amado, por anos o “pior” dos centrais do Benfica, aquele que nunca mais se ia embora e que via falhar sucessivas tentativas de encontrar um parceiro para Luisão sempre que faltava Garay – e mesmo depois, quando o argentino partiu para aturar o Vilas Boas. Foi a insistência de Jesus e o apoio que deu ao jogador que acabaram por construir o esteio em que Jardel se tornou.

O segundo caso é o de Jonas, em que JJ apostou, quase contra o Mundo, quando quiseram deixar-lhe o Lima sozinho para o combate em todas as frentes. A carreira dececionante do avançado no Valencia confirmava o que todos, menos Jesus, juravam ver: um mercenário, um futebolista acabado e a viver do passado. A realidade está aí: 20 golos já apontados nesta temporada e uma qualidade muito acima da média.

O último exemplo é o de Júlio César. Um guarda-redes de 35 anos, que acaba num clube do fundo da Premier e que nem aí é titular, vem para o Benfica fazer o quê? Está também à vista a sua classe e a tranquilidade que deu à equipa, pelo que há uma pergunta que se impõe: onde estariam os três brasileiros não fosse o seu encontro com Jesus? Dar a resposta é que já seria deselegante.

Canto direto, Record, 16MAR15