Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Jorge Jesus no Sporting estava escrito nas estrelas

Nunca foi homem de ficar muito tempo no mesmo sítio. Em 19 épocas como jogador, vestiu 12 camisolas, e vai entrar na 27.ª temporada como treinador para liderar a equipa técnica do 11.º clube. Mas se os últimos seis anos no Benfica constituem o seu recorde de permanência, foram os cinco de ligação ao Sporting, dos juniores à equipa principal – apesar de cedido e mais tarde dispensado –, que marcaram Jorge Jesus.

Daí que o regresso a Alvalade estivesse escrito nas estrelas, era uma questão de tempo, faltando apenas conhecer um pormenor relevante: se este será o tempo.

Mais do que a mudança, que foi surpreendente, o que de facto me espanta é que Jesus e Bruno Carvalho queiram trabalhar um com o outro, sabendo que não vão poder fazer farinha, ou seja, o nariz empinado é mútuo em questões de trabalho e ou as vitórias surgem em catadupa – o que está longe dos nossos limitados horizontes – ou a vida ficará difícil.

Seja como for, do ponto de vista desportivo a opção do líder sportinguista é a única que pode, na realidade, transfigurar o futebol dos leões. Alvalade vai registar casas cheias, o merchandising rejubilará, a euforia tomará corações. E se, a 9 de Agosto, Jesus arrebatar a Supertaça ao Benfica, a mancha verde do Marquês transbordará com loucura. Essa miragem já é uma vitória, o Sporting ganha, na roleta russa, o primeiro disparo. O segundo, logo veremos.

Observador, Sábado, 10JUN15