Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Jorge Jesus foi impedido de trabalhar

Dizia José Mourinho após um insucesso do Tottenham: “Não há quem tenha melhores métodos de trabalho do que eu”. Com a experiência que acumulou e o muito que aprendeu não custa acreditar que assim seja. Mas então, continuando a ser um grande treinador, porque atravessa Mou uma fase menos brilhante da sua carreira, com os “spurs” em oitavo lugar na Premier, a 23 pontos do líder, o Manchester City do arquirrival Guardiola? Simplesmente porque a inteligência e a competência não bastam e têm de se submeter aos ditames do tempo e das circunstâncias.

Podemos dizer o mesmo de outro alvo preferido da inveja social, que vive na estúpida esperança de que seja possível encontrar um dia na valeta quem já venceu na vida traga o futuro o que trouxer. Refiro-me a Jorge Jesus, transformado em bombo da festa por ter o Benfica a 16 pontos do Sporting – ou a 13, se ganhar hoje – por falar de mais e, pior ainda, por assumir as dores dele e a de outros. Jesus tem sido duramente ridicularizado pelo discurso, o que coloca em segundo plano aquilo que na verdade aconteceu: sendo um treinador de campo, que cuida dos detalhes e que corrige ao pormenor os jogadores, não teve, pela acumulação de partidas e pela covid, condições para executar o seu trabalho.

Claro que se podem agitar mil papões, procurar culpados até no sótão. Da ausência de público – uma contrariedade que afeta particularmente o Benfica – à errática aposta ora na formação ora em “reforços” pagos a peso de ouro, passando pela falta de um verdadeiro “6”, pela louca contratação de centrais, pela estranha dispensa de Carlos Vinícius ou até pela não menos estranha ida de Vlachodimos para o banco. E por aí fora. Quando as coisas correm mal, tudo serve para revoltar a malta.

Treinadores em baixa, treinadores em alta. Tão depressa não precisa, mas se um dia Rúben Amorim enfrentar uma inesperada situação de desemprego, tem outra profissão em que pode triunfar: a de comunicador. As suas conferências de imprensa são um manual de dizer bem o que deve ser dito e de dizer talvez melhor o que poderia fugir a dizer. Chapeau!

E a brincar a brincar, Carlos Carvalhal já está em segundo. Não o levem a sério e depois queixem-se.

Feia atitude do pai, feia atitude do filho, alunos da mesma escola.

Ontem foi um dia empolgante para os adeptos do snooker, com o jogo decisivo do The Players Championship, em que se enfrentaram – 26 anos (!) decorridos sobre a sua primeira final – duas lendas da modalidade: Ronnie O’Sullivan, hexacampeão mundial e campeão em título, e John Higgins, tetracampeão mundial. Ganhou Higgins, que se apresentou numa forma superlativa e arrasou o Rocket, um espetáculo!

Dedico o parágrafo final a Alfredo Quintana, o cubano que escolheu o nosso país para jogar, ganhar a vida e constituir família. Nos últimos dias, as homenagens vieram de todos os lados e tudo ficou dito sobre o atleta de eleição que tragicamente partiu e nos deixou a nós, seus admiradores, mergulhados na tristeza. Do que li, tomo como meu o final da mensagem, no Twitter, da Federação de Andebol de Portugal: um obrigado não chega.

Outra vez segunda-feira, Record, 1mar21