Jogadores avalizam FPF para despedir Queiroz

O “caso Queiroz” já só pode terminar – deixemo-nos de fantasias – com o afastamento definitivo do selecionador. A decisão tem andado de Herodes para Pilatos, sem que ninguém assuma a responsabilidade de apontar ao treinador a porta da rua, porque se sabe vir aí mais uma interminável, e aliás prometida, querela judicial. O banho-maria é a solução clássica a que nenhum português resiste.

Mas algo mudou surpreendentemente nos últimos dias, diria até que se revelou um poder que faz com que as declarações opacas de Laurentino Dias, o semblante fechado de Luís Horta ou o silêncio receoso dos dirigentes federativos pareçam pratos leves que Queiroz digere ao pequeno-almoço.

É verdade. Após a derrota na Noruega, os jogadores – esses seres especiais que nunca têm opiniões, que por nada que não seja dinheiro parecem interessar-se e que raramente tomam uma posição – entenderam, enfim, que o copo transbordara. E vieram a terreiro dizer uma coisa complicada para eles e ao mesmo tempo muito simples: é preciso resolver o problema.

Esse pedido-exigência mais não é do que o público reconhecimento por parte dos grandes protagonistas de que tudo o que se tem passado em torno do selecionador os afeta profundamente. O que constitui talvez o motivo mais forte e decisivo, o verdadeiro aval para a destituição do selecionador. Porque já não se trata nem de bravatas políticas, nem de jogos de egos atormentados, são apenas os artistas a avisar que a mostarda lhes chegou ao nariz.

Há uma representação nacional prejudicada nos resultados e tolhida nos objetivos por um líder que deixou de o ser, por culpa própria e alheia – já não interessa. Agora, a corda vai ter de quebrar pelo lado que se fragilizou.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 9 setembro 2010

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