Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

João Tomás é um exemplo

Paulo Futre, o homem da moda em Portugal, é um apátrida dentro da pátria: Sporting, FC Porto e Benfica revêem-se nele mas não o acolhem como um pai que ama o seu filho.

O futebol português está cheio de antigos talentos que trocaram o dinheiro pela referência, preferindo saltar de clube em clube na procura de melhores contratos – e acabar mesmo a carreira pelas ruas da amargura – a verem o sol a pôr-se no seu quarto de sempre, cuja janela se abre sobre a grande praça do coração dos que o aplaudiram e conservarão na memória.

O guarda-redes Ricardo, que parecia ir tornar-se num mito, apagou-se dramaticamente na segunda liga espanhola, da qual saltou para outra aventura falhada no segundo escalão do futebol inglês. É uma pena.

Exemplo contrário é-nos dado por João Tomás, que construiu uma carreira média mas sólida, passou pelo Benfica, foi à Seleção, emigrou em busca da sorte e soube depois regressar, procurar um porto de abrigo – Vila do Conde, um belo porto – e lançar uma última âncora ao futebol do país que o viu nascer. Aos 36 anos, acaba de renovar com o Rio Ave. E é uma lenda.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 3 junho 2011