Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

JO lembram vida para além da dor

Na redação de Record, trava-se por estes dias do morno agosto que atravessamos uma “luta de morte” pelo controlo dos comandos da dezena e meia de televisores que temos espalhados por aqui. 

De um lado, os comandados por Luís Avelãs, seguramente o mais “multidesportivo” dos jornalistas portugueses, fiéis às modalidades olímpicas e aos enormes feitos dos seus protagonistas, uma catarse quadrienal a que, verdadeiramente, nenhum amante do desporto se consegue furtar. O futebol segue-se pelo canto do olho, num LED instalado mais à frente, no lado oposto da trincheira.

Do outro, os acérrimos defensores do pontapé na bola, abençoados por três quartos da direção do jornal e arrebatados por um início de época em que todas as esperanças se renovam, que só cedem perante as incontornáveis proezas de Michael Phelps, dispondo-se então a uma fugaz submissão à magia olímpica. A versão do Eurosport em língua alemã – um excêntrico privilégio dos jornalistas de Record – serve de desculpa para o mergulho intenso da maioria das tropas nos braços não menos sedutores do desporto-rei.

Sinto-me dividido. Nos sentimentos mais profundos e nas solicitações televisivas. É que se os Jogos de Londres nos mostram os melhores executantes – e alguns, mesmo, extraordinários – e confirmam que todas as modalidades são apaixonantes quando atingem níveis de excelência, o regresso do “grande futebol” e o iminente recomeço das ligas constituiu o elo mais forte da ligação de Record aos seus leitores – e esse é o nosso foco e a razão da nossa existência.

Por enquanto, vou gerindo a situação. E se me surpreendo com os vultuosos investimentos do Benfica nestes tempos de crise e me interrogo se poderá o Sporting aguentar o barco nas águas onde continua a navegar, logo uma Gabrielle Douglas ou uma Rebecca Soni me lembram que há mais vida para além da dor.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 4 agosto 2012

Na redação de Record, trava-se por estes dias do morno agosto que atravessamos uma “luta de morte” pelo controlo dos comandos da dezena e meia de televisores que temos espalhados por aqui. 
De um lado, os comandados por Luís Avelãs, seguramente o mais “multidesportivo” dos jornalistas portugueses, fiéis às modalidades olímpicas e aos enormes feitos dos seus protagonistas, uma catarse quadrienal a que, verdadeiramente, nenhum amante do desporto se consegue furtar. O futebol segue-se pelo canto do olho, num LED instalado mais à frente, no lado oposto da trincheira.
Do outro, os acérrimos defensores do pontapé na bola, abençoados por três quartos da direção do jornal e arrebatados por um início de época em que todas as esperanças se renovam, que só cedem perante as incontornáveis proezas de Michael Phelps, dispondo-se então a uma fugaz submissão à magia olímpica. A versão do Eurosport em língua alemã – um excêntrico privilégio dos jornalistas de Record – serve de desculpa para o mergulho intenso da maioria das tropas nos braços não menos sedutores do desporto-rei.
Sinto-me dividido. Nos sentimentos mais profundos e nas solicitações televisivas. É que se os Jogos de Londres nos mostram os melhores executantes – e alguns, mesmo, extraordinários – e confirmam que todas as modalidades são apaixonantes quando atingem níveis de excelência, o regresso do “grande futebol” e o iminente recomeço das ligas constituiu o elo mais forte da ligação de Record aos seus leitores – e esse é o nosso foco e a razão da nossa existência.
Por enquanto, vou gerindo a situação. E se me surpreendo com os vultuosos investimentos do Benfica nestes tempos de crise e me interrogo se poderá o Sporting aguentar o barco nas águas onde continua a navegar, logo uma Gabrielle Douglas ou uma Rebecca Soni me lembram que há mais vida para além da dor.