Jesus não tem nada para “pensar”

A rapaziada que voga ao sabor das ondas pede agora a Luís Filipe Vieira a cabeça de Jorge Jesus, como se a palavra do presidente fosse letra morta ou como se o técnico pudesse ter evitado a “maldição dos descontos”, ou seja, o remate da vida de Kelvin e o chumbo nas pernas que agarrou Jardel ao solo – e o impediu de saltar com Ivanovic.

Ontem de manhã, ouvi na rádio um daqueles inimputáveis que aproveitam o tempo de antena para despejar barbaridades, a exigir o afastamento de Jesus, por não ter cumprido os objetivos, ao contrário, dizia o freguês, da direção do clube.Não sei se o treinador cumpriu ou não, não sei se existem treinadores que ganhem tudo, só sei que o Benfica esteve na final da Liga Europa, continua na luta pelo título e vai tentar ganhar a Taça de Portugal.

Mas não vi o FC Porto em Amesterdão e não o vejo a caminho do Jamor, e teria valor para ambas as coisas, não vi o V. Guimarães a disputar o título – e gostava, e tenho esperança de ver um dia –, não vejo o Sporting, infelizmente há já demasiado tempo, em qualquer dessas frentes. Nas três, em simultâneo, só lá vejo o Benfica e… Jorge Jesus.

Quanto aos objetivos cumpridos pela direção, a que se referia o “senhor ouvinte”, acho-a solidária com os sucessos ou os insucessos do técnico que escolheu. E basta ver como se arrastou, na Luz, o problema do guarda-redes, até chegar Artur, e como persiste hoje o “gap”, de vários anos, que é a falta de um terceiro central ao nível dos dois titulares, por exemplo, para se confirmar que, tal como os jogadores e os treinadores, também os dirigentes não são perfeitos. Simplesmente porque existem limites orçamentais e de senso, e não se pode contratar tudo o que se acha que pode vir a fazer falta.

Vieira não voltará atrás, identifica-se com o técnico e a decisão está tomada. Jesus não tem que hesitar, nem precisa de “pensar”. Porque ao Benfica só lhe resta um caminho se quiser ganhar: ir a todas e estar lá. 

E estando lá, aí sim, será limpinho: chegará o dia. 

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 18 maio 2013

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