Jesualdo irritado com os jornalistas: faz algum sentido?

O treinador do FC Porto não aguentou mais: terminada a época com a conquista da Taça, assestou as baterias sobre os jornalistas, uns malandros que são os recorrentes culpados das desgraças alheias.

Não tenho qualquer espírito corporativo, as pessoas distinguem-se pelo que são e não pelas profissões, pelos cursos que tiraram, pelas opções políticas ou religiosas, ou pela beleza dos olhos, mas acho ridícula essa mania da perseguição, particularmente quando é assumida por um homem culto e esclarecido como Jesualdo Ferreira.

Talvez Pinto da Costa não perdoe a desilusão, mas creio que, não se podendo ganhar sempre, o FC Porto, com as vitórias na Supertaça e na Taça de Portugal, acabou por fazer uma razoável temporada. Caramba, são mais dois títulos.

Aliás, com tantos anos de estrada, o futebol profissional do Dragão tem já o dever de saber que, se Jesualdo falhou, outros quadros da estrutura terão falhado com ele – e não deixo o próprio presidente longe dessa suspeita. Os homens não são máquinas.

Por isso, quando o professor desencanta aquele “vocês não me querem mesmo aqui” e deixa os jornalistas a falar sozinhos – sem lhes levar os gravadores, o que é hoje uma deferência a ter em conta – o técnico do FC Porto, podendo ter acertado em alguns alvos, não foi justo, nem disse algo de que se deva orgulhar.

No Record, por exemplo, são muitos os que reconhecem os méritos de Jesualdo Ferreira e a sua capacidade, apesar do sinal de fraqueza que ontem exibiu na hora de mais um triunfo. Mas se houver quem pense o contrário e não o queira ver como treinador dos dragões, que importância é que isso tem?

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 17 maio 2010

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