Isabel Mota: musa de Cavaco vai mandar na Gulbenkian

Em 2015, a receber um prémio da revista Máxima

Na Gulbenkian desde 1996, Isabel Maria Lucena de Vasconcelos Cruz de Almeida Mota (Lisboa, 15/8/1951) será, em maio, presidente da fundação. Do seu currículo, consta o cargo de secretária de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, que desempenhou, de 1987 a 1995, nos governos de Cavaco Silva. Foi nessa qualidade – e na de estrela de então do cavaquismo – que, em setembro de 1991, deu uma entrevista à jornalista Cristina Arvelos para a Tomorrow. Aqui fica uma pequena parte desse trabalho de há 25 anos.

“O cabelo é loiro, está todo compostinho mas não lhe dá o ar arrumadinho daquelas mulheres que sabem sempre onde é que está tudo, que encontram logo o isqueiro assim que metem a mão na carteira…
Ambicionava este lugar de secretária de Estado?
Nunca tal me passou pela cabeça, mas depois de o aceitar estabeleci que a minha ambição era cumprir o melhor que fosse possível. É assim a minha forma de estar na vida, com entusiasmo, entrega e alegria, que acho que são fundamentais.
Sabe que é a menina bonita deste governo, não sabe?
Não, há várias meninas no Governo. Somos quatro mulheres.
Cavaco Silva nunca lhe deu um piropo?
Que ideia!
Vai-me dizer que não se acha uma mulher interessante?
Não sei, não lhe sei dizer. Há dias em que uma pessoa se sente melhor… É óbvio que trato de mim, que faço os possíveis por ter uma boa aparência, mas acho-me normalíssima. Olhe, é uma boa pergunta para fazer ao meu marido…
Fazem-lhe charme?
É normal que um homem seja simpático e faça charme. E, por isso, às vezes acontece.
Os seus filhos gostam da sua vida?
Os meus filhos mais velhos estão numa fase de reagir, no sentido de que precisam muito de mim. Disputam, aliás, o meu tempo, criticam, às vezes, a minha falta de disponibilidade e não gostam que chegue tarde a casa. Mas no conjunto eles são estupendos, vibram e participam em tudo o que faço.
E o seu marido?
Participa muito, participa em toda a minha vida. Tem sido muito compreensivo e dá-me muito apoio.
Vai a boites?
Às vezes, vou. E gosto de dançar. Já temos ido, aliás, com os nossos filhos mais velhos dar um pé de dança.
Está com 40 anos. Há quem diga que a vida começa aos 40…
Deus queira, achava ótimo! Mas não sei se começa… E olhe que pela minha parte já vivi momentos muito bons. Os anos ensinaram-me a encarar tudo com mais maturidade e menos ansiedade. Hoje tenho a noção da relatividade das coisas, que era sabedoria que não tinha.”

Parece que foi ontem, Sábado, 15DEZ16

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