Infalíveis, jamais

O “Record” procura ter, como é sua obrigação, uma relação de confiança com os leitores. Temos procurado, por isso, nos últimos sete anos, aplicar uma regra que devia constituir ponto de honra para qualquer jornalista: quem erra, emenda.

Nasceu assim a nota de redação que designamos, para que não restem dúvidas, “Record errou”, e que substitui a anterior, o “Assim é que é”, a que raramente se recorria.

É verdade que um jornal diário, cujas páginas mais importantes são normalmente editadas em meia-dúzia de horas, vive sob a ameaça constante do erro, trabalhando muitas vezes “sem rede”, pressionado pelos tempos de fecho e pelos acontecimentos.

O que será melhor, então? Considerar os lapsos como “compagnons de route” da nossa profissão, esperando que os leitores ou não se apercebam deles ou nos desculpem, condoídos? Fazer daqueles para quem trabalhamos estúpidos que julgam que nós somos os infalíveis  e eles os que estão equivocados? Ou admitir os erros com realismo e humildade, assumindo a imperfeição da natureza humana, respeitando o leitor e corrigindo informações objetivamente inexatas, mesmo correndo o risco de dar a impressão de sermos incompetentes, analfabetos ou ambas as coisas?

Não tenho dúvida de que quem nos lê valoriza esta relação de frontalidade e não se deixa enganar pelos que tentam vender, por vezes canhestra e sobranceiramente, o dom da certeza absoluta, da infabilidade.

O “Record” falha ainda, em algumas situações e com alguns protagonistas – que se ruborizam com a emenda mas não se envergonham da asneira – este compromisso de honra com os leitores. Mas o caminho faz-se caminhando e um dia mereceremos, em pleno, a preferência dos que acreditam em nós.

Canto direto, publicado na edição impressa de “Record” de 30 Janeiro 2010

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