Ia morrendo na subida para Cuitu Negru

 

Q uando se confirmou a venda de Hulk e Witsel para o Zenit – um óbulo de 100 milhões de euros, só num dia, dos ricos da Rússia cá para os pobretanas – já eu estava sem reação, a deitar os bofes pela boca.
É verdade, pus-me a ver o direto dos últimos 40 quilómetros da etapa da Vuelta e ia morrendo ao lado dos desgraçados que tiveram de subir ao Cuitu Negru, uma escalada que pede meças ao mítico Tourmalet, referência do Tour, ou ao Passo dello Stelvio, uma das montanhas infernais do Giro.
Depois de cada rampa penosamente ultrapassada, lá surgia outra e mais outra, e outra ainda, para tudo acabar num pesadelo asfaltado com 1 metro de largura e 24% de inclinação, uma tortura para quem via – imagine-se para quem tinha de carregar com a bicicleta…
No fim, a alegria que esperava: “Purito”, que tinha resistido a todos os ataques de Contador, a passar-lhe a perna e a ganhar-lhe mais 6 segundos. O problema é que arrisquei a vida talvez em vão. É que amanhã podem vir dizer-me que nada daquele sacrifício contou porque os rapazes, afinal, fizeram batota. E lá terei caído na esparrela outra vez. É, não tenho cura.


Quando se confirmou a venda de Hulk e Witsel para o Zenit – um óbulo de 100 milhões de euros, só num dia, dos ricos da Rússia cá para os pobretanas – já eu estava sem reação, a deitar os bofes pela boca.

É verdade, pus-me a ver o direto dos últimos 40 quilómetros da etapa da Vuelta e ia morrendo ao lado dos desgraçados que tiveram de subir ao Cuitu Negru, uma escalada que pede meças ao mítico Tourmalet, referência do Tour, ou ao Passo dello Stelvio, uma das montanhas infernais do Giro.

Depois de cada rampa penosamente ultrapassada, lá surgia outra e mais outra, e outra ainda, para tudo acabar num pesadelo asfaltado com 1 metro de largura e 24% de inclinação, uma tortura para quem via – imagine-se para quem tinha de carregar com a bicicleta…

No fim, a alegria que esperava: “Purito”, que tinha resistido a todos os ataques de Contador, a passar-lhe a perna e a ganhar-lhe mais 6 segundos.

O problema é que arrisquei a vida talvez em vão. É que amanhã podem vir dizer-me que nada daquele sacrifício contou porque os rapazes, afinal, fizeram batota. E lá terei caído na esparrela outra vez. É isso, já não tenho cura.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 4 setembro 2012

 

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