Humilhação laranja por acaso

As declarações dos reféns de um bandido devem ser entendidas de modo especial. A promessa de morte rápida por parte do torturador basta para que um homem diga o que não pensa e o que não quer. Nem é preciso exemplificar com os casos recentes das vítimas do extremismo islâmico. O próprio Xanana Gusmão, de cuja coragem ninguém duvida e que passou por sofrimentos inauditos nas montanhas de Timor e na resistência ao invasor, cedeu na prisão à pressão dos carcereiros indonésios e anunciou uma suposta renúncia à luta pela independência.

Mas a brutalidade pode apresentar-se também com um rosto falsamente humano. E foi ver agora, em dias seguidos, a demissão do diretor-geral da Administração Escolar, que pagou assim o pedido de desculpa do ministro pelo caos na colocação de professores, e o “mea culpa” televisivo – ao lado da ministra… – do presidente do IGFEJ, pelo descalabro do Citius, para se perceber como é longo o braço que degola inocentes. Ainda que por pudor se não obrigue as vítimas a vestir a túnica da humilhação, laranja por coincidência.

Antena paranoica, CM, 20SET14

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