Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Henrique Granadeiro: um gestor solidário

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Desesperada pelos seis anos em que António Guterres foi primeiro-ministro e os seus boys ocuparam quase todos os tachos, a esfomeada clientela laranja deitou as garras de fora em Março de 2002, mal Durão Barroso ganhou as legislativas. E logo pôs a correr que o director do 24 Horas tinha sido militante do PS, pelo que não era “de confiança”. A própria manchete do dia da vitória eleitoral – Cherne vai mandar – foi utilizada como prova que aconselhava a mudança. Então, por essa altura, Henrique Granadeiro, presidente da comissão-executiva da Lusomundo, chamou-me não para o despedimento mas para me garantir que iria continuar a trabalhar com rede por baixo: “Faça o jornal como achar melhor e não se preocupe porque do Governo trato eu.” E entregou-me o documento em que havia colocado por escrito o seu compromisso.

Meses mais tarde, depois de ter procurado manter-me no 24 Horas, Henrique Granadeiro voltou a demonstrar a sua qualidade como gestor. É que um dos administradores, Miguel Ribeiro e Silva, recusava prestar, na hora da minha saída, a garantia de que a empresa Prodiário, proprietária do jornal, se responsabilizaria pelo pagamento de todas as despesas decorrentes das duas dezenas de processos que me tinham sido movidos como director do 24. E só a intervenção de Granadeiro convenceu Ribeiro e Silva a juntar a sua assinatura à de Pedro Araújo e Sá. O momento menos agradável da vida de Henrique Granadeiro é o momento certo para este testemunho.

Saída do 24 Horas para terminar como comecei: na informação desportiva

Em Dezembro de 2002, enfrentei um dilema: ficar no 24 Horas, onde era feliz, ou sair para o Record para terminar a carreira como comecei, a trabalhar na informação desportiva. A Cofina oferecia-me – também para iniciar a decapitação de um diário incómodo – o dobro do salário, mas mesmo assim Granadeiro acompanhava a parada. Falaria mais alto Alberto do Rosário e a aposta, dupla, que fez em mim.

Parece que foi ontem, Sábado, 14AGO14

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