Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

“Há tarde”: há tardes de pesadelo

A RTP perdeu o “glamour” do passado nos programas de tudo e de coisa nenhuma que preenchem as tardes e as manhãs na TV. Desde que Sónia Araújo e Jorge Gabriel deixaram o “Praça da alegria” e este se foi, que o nível do conceito veio por aí abaixo.

A última manifestação da pobre realidade é o “Há tarde”, um produto híbrido e sensaborão onde cabe o que for, e que é dominado por um tédio insuportável. Convidados às pazadas proporcionam conversas desinteressantes, as reportagens são básicas, a plateia não existe, a fórmula é da pré-história da televisão. Do descalabro salva-se Herman José, que tenta o impossível para dar dignidade ao trabalho – brincando, tocando, cantando e cozinhando – e rebocar assim uma Vanessa Oliveira sem perfil para aquela função.

A cultura do humorista e o seu dificilmente igualável “mundo” são o oásis desse deserto de três horas diárias que parecem não ter fim. Não fosse a mais-valia que Herman sempre constituiu e a RTP regressaria, com o “Há tarde”, à Feira Popular, 58 anos atrás, aos tempos de ilusão e pesadelo.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 4OUT14