Há sempre alguém que julga poder mandar nos jornalistas

“Para plantar, há escolhas; para colher, apenas o que plantaste” – provérbio oriental

Ao longo de uma carreira de meio século foram inúmeras as situações em que, como director ou simples repórter, me senti condicionado – e desde logo porque venho ainda (ai, ai…) dos tempos da Censura.

Liga1

Não sinto hoje a nostalgia do trabalho diário ou da pressão dos resultados, o que me faz falta é uma confrontação de vez em quando… Como aquela que tive, em 2011, quando o Record publicou uma pequena notícia sobre um árbitro, cuja nomeação teria gerado “incredibilidade e revolta” num determinado clube, coisa gravíssima como se calcula.

A verdade é que a Liga de clubes, a LPFP, resolveu abrir um inquérito e eu, sem saber porquê, fui indicado como testemunha e convocado, com agressividade policial, para prestar declarações na sede da dita, no Porto. Expliquei que não ia à Invicta de propósito e, enxofrados, os inquiridores mudaram a audição para Lisboa. De acordo, mas venham ouvir-me aqui ao Record, propus, já a chegarem-me os azeites.

A doutora instrutora, mais importante que o pobre jornalista, fez então um pomposo despacho, no qual recusava ir à redacção, me exigia respostas por escrito a cinco perguntas imbecis e impertinentes, e me advertia (!) do dever de responder com verdade e em conformidade com o previsto na lei penal – uma jurista de organização privada armada em magistrada do Ministério Público!

Liga2a

Com a colaboração de Pedro Ferros, da CCA Advogados, comuniquei por e-mail à senhora que não responderia às questões, já que elas incidiam “sobre matéria que, atenta a natureza da actividade jornalística, estava na exclusiva dependência dos tribunais jurisdicionais”. E enfrentada com as mesmas armas, logo a petulância ficou sem inquérito – e sem o peito cheio de vento.

Parece que foi ontem, Sábado, 30ABR15

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