Garay no Benfica? Sim, mas o futebol é um negócio

Um caso gravíssimo – os 33 anos de Ezequiel Garay e os 37 de Pepe! – fez com que Manuel Serrão e Pedro Guerra se zangassem, no “Prolongamento” da TVI24, e dessem um bom incentivo aos delinquentes que apedrejam autocarros. Serrão abusou da incontinência verbal e Guerra comparou o incomparável: o central portista apresenta-se ainda, apesar da idade, numa condição física que lhe permite competir ao nível que a equipa e o treinador lhe exigem, enquanto o argentino recupera, desde fevereiro, de uma lesão no ligamento cruzado do joelho direito, desconhecendo-se o seu rendimento futuro.

Garay passou pelo Real Madrid e pela seleção do seu país, e foi feliz no Benfica, a exemplo da mulher, a belíssima Tamara Gorro, estrela das redes sociais, que nunca escondeu o seu amor por Lisboa. Regressar à Luz seria um merecido final de carreira para ele e uma referência assinalável para o balneário. O problema reside na dúvida sobre as hipóteses do antigo internacional voltar a ter um desempenho semelhante ao que exibiu entre 2011 e 2014, quando disputou 135 jogos com a camisola encarnada. É que nos três anos e meio no Valencia a sua produtividade caiu a pique e as limitações físicas acumularam-se. Que Garay teremos em outubro, então com 34 anos? Chegar a custo zero compensará o elevado valor que exigirá para assinar contrato?

Nas derradeiras semanas, antigos futebolistas de Benfica e Sporting multiplicaram-se em entrevistas em que manifestaram a vontade de retornar a Portugal e aos clubes de coração, mas nenhum – com exceção de Renato Sanches – o fez em tempo de plenitude das suas capacidades. Ainda ontem, vimos como outro saudosista do emblema da águia, David Luiz, sem velocidade e de forma patética, permitiu a fuga de Son para o primeiro dos dois golos com que o Tottenham derrotou o Arsenal. O futebol é um negócio que não se compadece com lamechices.

Golos, quatro e a fechar as partidas, de quatro jogadores portugueses a atuar no estrangeiro, deram emoção ao nosso fim de semana: Domingos Duarte, de cabeça, a proporcionar a vitória do Granada (2-1); Nani, a aproveitar um ressalto e a dar o triunfo (2-1) ao Orlando City; Miguel Veloso, num bom remate, a tramar o Inter (2-2); e Cristiano Ronaldo, de penálti, a deixar a Lazio a oito pontos e a meter meio Scudetto no bolso da Juventus.

A propósito de Miguel Veloso. Que bom ver um jogador na sua melhor condição aos 34 anos! Sim, cada caso é um caso. Titular indiscutível e capitão do Hellas Verona, equipa da primeira metade da tabela do campeonato italiano, o Miguel “reclama” ainda da injustiça de ter ficado fora da convocatória para o Europeu de 2016 – ele que, em setembro de 2015, em jogo da fase de qualificação, apontara até o golo da vitória da Seleção, na Albânia.

Dedico hoje o último parágrafo a um bravo, José Augusto Dias, o bombeiro voluntário que pereceu na serra da Lousã, cercado pelo fogo – e ao serviço do País. Para a família e para sua corporação, a de Miranda do Corvo, aqui fica o meu sentimento de enorme admiração e do mais profundo respeito.

Outra vez segunda-feira, Record, 13jul20

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