Fernando Santos vai precisar de sorte

A nova realidade que o início de funções de Fernando Santos trouxe à Seleção impõe a necessidade de desfazer a dúvida instalada: queremos que a equipa nacional forme um grupo que consiga esbater vedetismos, evitar problemas e ultrapassar obstáculos ou pretendemos apenas juntar os melhores jogadores e esperar que ganhem? Queremos um coletivo unido e solidário ou uma associação de milionários birrentos?

Como o presente é que conta e temos olhos postos no futuro, fica bem passar uma esponja sobre os erros do passado. Mais ainda quando se tratou só de um mal-entendido, por exemplo: um jogador acusado de simular uma lesão para não fazer uma viagem aborrecida e que tinha, na verdade, um polegar dorido. Ou até uma simples baralhação de ideias, por exemplo: alguém julgar que não queria jogar mais na Seleção, que não estava já para chatices, que a condição física se deteriorava e afinal chorar como uma Madalena arrependida por querer voltar. Vá lá, pronto, esses perseguidos estão perdoados.

Mas como nem tudo são rosas e momentos difíceis não faltarão, que espírito de grupo poderá conseguir um selecionador que acha que só há bons rapazes quando a hora for de sofrer? Como se sentirá um jogador motivado e de conduta inatacável ao ficar no banco, preterido por um que fugiu antes da ida para o aeroporto? Como se aguentará um profissional que respeita as decisões do seu treinador, ao ter de assistir à exibição pública de má educação de quem amua se for substituído ou se for suplente porque se acha – sem ser – melhor do que os outros?

Evidentemente que desejo sorte a Fernando Santos, vai precisar. Só não estou a ver como irá ele exigir caráter a quem não tem sequer cabeça.

 Canto direto, Record, 6OUT14

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