Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Fecho da piscina olímpica do Restelo foi um ato de coragem

Foi um dos mais belos sonhos, um anseio de décadas de milhares de belenenses, que a irresponsabilidade de sucessivos dirigentes azuis destruiu cruelmente.

Na sua mercearia de bairro, o sr. Manuel faz assim: junta o dinheirinho das vendas diárias e daí paga a renda da loja, a água e a luz, o salário do ajudante e os seus fornecedores. Repara ainda uma torneira que começou a pingar e substitui a velha arca que deixou de congelar ou a fechadura da porta que se encravou. Só depois, do saldo remanescente, retira a verba para a sobrevivência da sua família.

No complexo do Restelo, ao contrário, e ao arrepio de todas as regras de gestão, supostos iluminados espremeram os utentes das piscinas até ao último euro – para tentar, também com isso, tapar os erros dramáticos nas opções futebolísticas que quase liquidaram o clube – e deixaram degradar criminosamente os equipamentos que eram a base daquele negócio.

A direção de salvação belenense, liderada por João Almeida, tomou a decisão óbvia e corajosa: fechou. A seguir, estancada a despesa, há que encontrar parceiro e partir do zero. É na reparação dos actos da barbárie que se vê a grandeza dos homens. E tê-mo-los em Belém.

Braçada curta, publicado na edição impressa de Record de 3 setembro 2010