Fecho da piscina olímpica do Restelo foi um ato de coragem

Foi um dos mais belos sonhos, um anseio de décadas de milhares de belenenses, que a irresponsabilidade de sucessivos dirigentes azuis destruiu cruelmente.

Na sua mercearia de bairro, o sr. Manuel faz assim: junta o dinheirinho das vendas diárias e daí paga a renda da loja, a água e a luz, o salário do ajudante e os seus fornecedores. Repara ainda uma torneira que começou a pingar e substitui a velha arca que deixou de congelar ou a fechadura da porta que se encravou. Só depois, do saldo remanescente, retira a verba para a sobrevivência da sua família.

No complexo do Restelo, ao contrário, e ao arrepio de todas as regras de gestão, supostos iluminados espremeram os utentes das piscinas até ao último euro – para tentar, também com isso, tapar os erros dramáticos nas opções futebolísticas que quase liquidaram o clube – e deixaram degradar criminosamente os equipamentos que eram a base daquele negócio.

A direção de salvação belenense, liderada por João Almeida, tomou a decisão óbvia e corajosa: fechou. A seguir, estancada a despesa, há que encontrar parceiro e partir do zero. É na reparação dos actos da barbárie que se vê a grandeza dos homens. E tê-mo-los em Belém.

Braçada curta, publicado na edição impressa de Record de 3 setembro 2010

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