Fechados em casa

Aquela fauna das redes sociais que tenta, com desespero, demonstrar a incapacidade de António Costa no meio da tragédia – agarrando-se às falhas do SNS, inevitáveis numa fase de extrema conturbação – ficou KO com o resultado do inquérito revelado esta semana, no qual três em quatro inquiridos aprovam o trabalho do primeiro-ministro.

A validação de Costa muito deve à ação da Direção Geral da Saúde – igualmente com nota bem positiva no escrutínio – e ao poder de comunicação de Graça Freitas, a mulher olhada de soslaio quando substituiu Francisco George, mestre da palavra. Já o subdiretor da DGS não reúne condições para explicações públicas, a exemplo do secretário de Estado da Saúde, redondo na conversa e débil na empatia: o país dispensa condolências e agradecimentos, precisa só de eficácia.

É pena que Marta Temido não acompanhe mais vezes Graça Freitas porque, juntas, abrem a janela da esperança aos fechados em casa, cujo ânimo sobe mal elas aparecem na TV.

Há apenas um irritante na sua mensagem: o facto de não reconhecerem que existe escassez de recursos humanos e que o material “racionalizado” nem sempre chega. Se isso era comum antes da desgraça, como poderia não acontecer hoje com o caos à solta?

Antena paranoica, Correio da Manhã, 28mar20

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