Fausto Coppi e Gilberto Simoni: campeões diferentes

 
Coppi, em primeiro plano,
com o rival Gino Bartali,
triplo vencedor do Giro
e quatro vezes 2.º,
que o derrotou (em 1946)
e foi por ele derrotado (1947 e 1949)

Gilberto Simoni ganhou o Giro em 2001 e 2003, tendo conseguido ainda um segundo lugar e quatro (!) terceiros – tudo entre 1999 e 2006. Ou seja, ficou sete vezes no pódio em oito edições da Volta à Itália, tendo ganho ainda oito etapas.

Estava eu a pensar no que levará um campeão de quase 39 anos a arrastar-se numa prova que lhe deu a glória e em cuja história inscreveu o seu nome a ouro – no final da crono-escalada de ontem estava na 87.ª posição, a mais de duas horas do camisola rosa – quando vejo um jovem adepto, no alto da subida, com um cartaz que tinha apenas cinco letras: COPPI.

A imagem passou despercebida à esmagadora maioria dos telespectadores, a quem a palavrinha já nada diz. Coppi, Fausto Coppi (1919-1960), “Il Campionissimo”, foi um dos maiores ciclistas de sempre, que ganhou o Giro por cinco ocasiões – e o Tour por duas – e “fez” mais duas vezes segundo, entre 1940 e… 1955!   http://bit.ly/cmzuqK 

Nós, que desconhecemos quem foram José Maria Nicolau ou Alfredo Trindade, que ignoramos Alves Barbosa e que só por acaso nos lembramos do grande Joaquim Agostinho, podíamos pôr os olhos na memória – e no gesto – do jovem entusiasta italiano. Mas não. O esquecimento é uma doença grave. E cruel.

Pedal curto, publicado na edição impressa de Record de 26 de maio 2010

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