Falta de jeito para o negócio

Mal se soube que Cristina Ferreira ia deixar a TVI, em 2018, o concurso “Apanha se puderes”, que alcançara a liderança do ante prime time, começou a cair nas audiências até voltar a perder o primeiro lugar para “O preço certo”, da RTP. Iniciou-se aí, também, o calvário da estação de Queluz, que nunca mais conseguiu vencer a concorrência nesse horário, acumulando fracassos. O último, após o flop de “First dates”, nasceu da ideia preguiçosa de “esticar”, até às 20 horas, o “A tarde é sua”, da formiguinha Fátima Lopes.

Mas a nova direção de programas quis mostrar serviço e reuniu “ad hoc” uma malta amiga – o pior que se pode fazer em televisão – e colocou-a em estúdio para dizer, num formato mal amanhado, o que lhe viesse à cabeça, com graçolas avulsas e gargalhadas forçadas. O resultado foi a hecatombe esperada – menos, claro, por quem mexe na panela pouco percebendo de cozinha.

Os números são pesados e “O resto é conversa” chega a registar metade das audiências de “Prémio de sonho”, da SIC, e um terço das de Fernando Mendes. Um castigo duplo, já que constitui ainda um duro prejuízo para o Jornal das 8, o terceiro dos telejornais nacionais – raramente segundo e algumas vezes quarto… – puxado para baixo pela falta de jeito para o negócio.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 28set19

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