Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Falharam os improváveis

Depois da derrota de sábado com a Bulgária, cuja seleção é a 70.ª (!) do Planeta, Portugal cairia do 7.º lugar para o 9.º, no ranking da FIFA, pelo que se as coisas voltarem a correr mal amanhã, contra a Bélgica – ainda líder da lista mundial mas matematicamente já 2.ª, atrás da Argentina que ganhou ao Chile – é mais do que certo que sairemos do top 10 da elite do futebol quando a Federação Internacional divulgar o escalonamento de março.

Não vale a pena alinhar em loas à Seleção e ao selecionador sempre que ganhamos para acabarmos na autoflagelação nacional quando o que se imaginou maravilhoso deu para o torto. Deixemos igualmente de parte a habitual treta da falta de humildade e de empenho dos jogadores, e o também recorrente chorinho por nos faltar um 9 ou um 10, ou os dois, como é o caso.

Basta atentarmos nos desempenhos atípicos de Pepe e de Cristiano Ronaldo, melhores entre os melhores e que transportam o peso tremendo da época paupérrima do Real Madrid. Não são felizes, não estão em forma, jogam sem confiança. O central permite o golo búlgaro numa trapalhada de principiante e o capitão tomba numa falha improvável: é que já não convertera, seis dias antes, para a liga, um penálti, pelo que este “deveria” ter resultado em golo. Afinal, são 18 insucessos em 108 tentativas, o que dá uma concretização de 83,3%.

A pergunta que se coloca é: se Cristiano e Pepe não andassem azarados, e se Portugal tivesse vencido por 1-0, haveria tanta crítica a debitar barbaridades? Não, não haveria, mas se os “ses” contassem também não haveria futebol.

Canto direto, Record, 28MAR16