Exigência excessiva na morte dos comandos

As Forças Armadas são o garante do regime democrático já que seriam a única instituição a poder manter a ordem quando, e se, as estruturas do Estado se desmoronassem. Não pareceram, assim, adequadas as críticas aos Comandos após a morte dos dois recrutas, embora hoje nos deva preocupar que a trágica ocorrência haja desaparecido das notícias sem que se tenha feito o grande debate sobre a utilidade – para mim inegável – da existência de tropas especiais e do modo como lhes é dada formação.

O “processo de averiguações” em curso – que decorrerá “até final do ano”! – tentará encontrar um culpado, ou culpados, pela perda das vidas dos jovens mas, em boa verdade, o que aconteceu é facilmente entendível: uma subida enorme da temperatura do ar, para cerca de 40 graus, que não foi compensada pela diminuição da carga de treino por parte de quem conduzia a preparação dos instruendos.

Algumas reportagens tocaram com o dedo na ferida ao apontar “o medo” que os recrutas sentem dos instrutores, entre os quais não falta até quem se considere “um animal”. Não faz sentido, por isso, colocar o foco no acerto ou desacerto da assistência médica posterior à prostração das vítimas: não lhes tivessem exigido do corpo o que já não tinham para dar e ainda estariam connosco.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 25SET16

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