Este estranho mês de agosto

Apareceu uma chuvinha, os fogos entraram em férias e todas as atenções mediáticas se concentraram na greve dos camionistas. Animado pelo descanso triunfalista do ministro Cabrita, António Costa foi à janela e meteu a mão de fora: cai uma água, sim, mas não só.

Especialista em clima social e conhecedor do poder da televisão para pôr o país em polvorosa ou para o libertar de pesadelos, o primeiro-ministro percebeu que estávamos maduros para aceitar uma posição dura. E mal a TVI publicou a reportagem que deixou a nu o passado de Pardal Henriques – peça que faltava no “puzzle” do descrédito quase generalizado da reivindicação dos pesados – chamou o seu núcleo duro e recorreu à bomba atómica. Se não houver mortos e feridos a partir de segunda-feira – na sequência de um caos que os grevistas não parecem já capazes de criar – a ação de Costa vai render-lhe uns bons milhares de votos.

E como se a semana não estivesse a correr de feição ao líder do Governo e do PS, uma taxa de desemprego de 6,3% – a mais baixa em 15 anos – veio ainda juntar-se à festa. Festa? Hum… Com o PAN a “dobrar” o CDS nas sondagens e o Bloco a 5% do PSD, se há algo em que não tenho confiança é neste estranho mês de agosto…

Antena paranoica, Correio da Manhã, 10ago19

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