O espectáculo medinático das obras em Lisboa

A capital já está caótica em matéria de trânsito e ainda não se iniciaram algumas das obras previstas para estes últimos 16 meses do (meio) mandato de Fernando Medina, em particular as da Segunda Circular, esse pesadelo que muitos temem que não tenha fim.

Infelizmente, muitas freguesias alfacinhas, por falta do dinheiro que parece sobrar a Medina ou por simples incompetência dão de Lisboa a imagem de uma cidade suja e descuidada, esburacada, onde é difícil circular e estacionar, e que nem para servir os turistas mostra talento. Exemplo: temos jardins – ou matagais? – que são um nojo. Ah, é verdade, e quanto à Fonte Luminosa… lá secou outra vez.

A CML tem sido alfobre de políticos do maior nível da vida democrática do país, de Kruz Abecasis a António Costa, passando por Jorge Sampaio, João Soares e Pedro Santana Lopes. Talvez Medina se afirme também após esta caterva de estaleiros, decisiva para que possa dispor de mais quatro anos para mostrar obra e ambição para outros voos.

Preferindo embora um planeamento harmonioso, diversificado no tempo e mais voltado para as pessoas e para os bairros, e menos para o espectáculo medinático, aguentemos então o pesadelo. Lembro-me bem da ferocidade das críticas a Santana Lopes por causa do túnel do Marquês, que transformou e melhorou a cidade. Que seria hoje de Lisboa sem ele?

Observador, Sábado, 25MAI16

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