Especialistas falham em “Casados à primeira vista”

Tempo atrás, no Canal 11, Iva Domingues, que já aqui elogiei, perguntava a Manuel Luís Goucha pelos sapatos que lhe teria dado o antigo guarda-redes… Beto. A apresentadora queria dizer Neno, mas como não fez o trabalho de casa, errou.

O contrário aconteceu com a produção e a realização de “Casados à primeira vista”, da SIC, que aprenderam com a primeira série e nos oferecem uma segunda de melhor nível – em tudo, menos na qualidade média dos candidatos, que torna trágica a comparação com versões estrangeiras. Temos gente para dar beijos de língua (!) mal conhece o parceiro, falar com a boca cheia, dizer “fizestes”, gesticular com o garfo ou exibir a celulite sem noção nem pudor… E para largar os respetivos “cônjuges” e ir dormir a casa, como se a experiência fosse um emprego – e se calhar é – ou para alimentar a esperança da “descoberta” do outro depois de já ter declarado que a relação é impossível. Uma encenação em que participam os especialistas, que disfarçam assim a repetição do seu falhanço na avaliação das compatibilidades.

O resultado vê-se pelas audiências: a SIC nem sempre ganha à RTP1 no ante prime time. Nada a fazer quando há tecido para o fato mas falta pano para as mangas.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 16nov19

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