Espanha, país de bárbaros

No “Programa da Cristina” de quinta-feira, Hernâni Carvalho denunciou pela enésima vez a falta de dureza da justiça portuguesa com os crimes de índole sexual, a propósito do escândalo que foi tema da manchete desse dia do CM. A coisa é aberrante: o Tribunal da Relação reduziu de 13 para sete anos a pena de um casal que violava a filha bebé – a mamã forçava-a a abrir as pernas e o papá atacava-a – alegando que a primeira instância parece não “ter percecionado a real dimensão do caso que tinha entre mãos, de grau de ilicitude manifestamente reduzido”. Lê-se e não se acredita.

Deve ser gente feita da mesma massa daquela que puniu, há um mês, em Faro, um homem que matou uma mulher e queimou o cadáver, fingindo depois andar à procura da vítima – que deixou dois filhos pequenos. Descoberto, preso e julgado, o assassino não falou em tribunal, nem mostrou arrependimento, pelo que foi condenado a… 12 anos de cadeia!

Bem podemos clamar contra a brandura do legislador e de quem aplica a lei porque o tempo político é de defesa dos direitos dos criminosos, coitadinhos. Em Espanha, não há muito, três jovens ex-futebolistas foram sentenciados a 38 anos de prisão por violação de uma menor. País de bárbaros.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 4jan20

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