Entrevista faz-de-conta com Braz da Silva, ex-candidato a presidente do Sporting

Record – Tinha dito há 10 dias que a sua candidatura seria irreversível…
Braz da Silva – Não, os jornais é que disseram que eu disse.
R – Mas desistiu porquê? Faltaram-lhe os apoios?
BS – Não, de modo algum, os apoios eram tão grandes que tive medo que esmagassem o Sporting.
R – Rogério Alves nem avançou, nem o apoiou…
BS – Não é bem assim, ele está em reflexão já há muitos anos, é um grande sportinguista. E quem dizia que ele não me apoiava eram os jornais… Ele nunca mo disse.
R – Nunca disse que o apoiava?
BS – Nem que apoiava, nem que não apoiava, foi sempre muito claro.
R – Então falaram de quê?
BS – Sei lá eu, agora! De tanta coisa… Mas lembro-me que estávamos ambos muito preocupados com esta crise no Egito.
R – E Dias Ferreira? Contava com ele para a sua lista?
BS – Eu não lhe disse nem que contava, nem que não contava, fui sempre muito claro.
R – A sua deslocação a Madrid, afinal, não serviu para nada…
BS – Então não serviu? Olhe fiquei a conhecer a cidade, a Gran Via e a Cibelles. E pude ver o estádio do Real Madrid, que só tinha visto na televisão.
R – E o que achou?
BS – Do estádio? É jeitoso, embora eu talvez lhe pusesse menos cimento. Mas também só o consegui apreciar bem do lado de fora.
R – Não foi ver o relvado? Sabe que aquela relva…
BS – Não, não deu. Calhou não estar aberto ao público naquela altura.
R – Então como é que falou com Rui Faria?
BS – Não falei, os jornais é que avançaram que eu falei. Liguei-lhe para casa mas a empregada disse-me que ele tinha ido ao supermercado.
R – Concordou com a venda de Liedson ao Corintians?
BS – Sim, eu gosto muito do Corintians. E do Pão de Açúcar também.
R – Mas por aquele preço…
BS – Qual preço? O que é que isso interessa? O Sporting precisa é de apostar na formação.
R – Liedson não tem nada a ver com a formação…
BS – Por isso tinha de se ir embora. Se o clube quer apostar na formação deve vender, pelo preço que for, todos os jogadores com mais de 22 anos, que só lá estão a tapar o lugar aos jovens.
R – Costinha teve razão nas críticas que fez?
BS – Eu estou em crer que sim, pelo menos é isso que me têm dito.
R – Não ouviu a entrevista dele?
BS – Como sabe tenho a minha vida, os meus negócios, e agora com a saída  do Mubarak, olhe, são só ralações.
R – Com a sua desistência, os 100 milhões de euros entrarão na mesma no Sporting?
BS – Eu só falei em 100 euros, talvez mil, no máximo. A imprensa é que acrescentou os milhões…
R – Por que acusou os jornais quando renunciou à candidatura?
BS – Candidatura… qual candidatura? Vê, vê como já está a inventar?

Entrevista faz-de-conta, texto de humor publicado na edição impressa de Record de 12 fevereiro 2011

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