Entrevista ao “Briefing”

O director do diário desportivo Record, Alexandre Pais, explicou ao briefing que o grande objectivo de 2009 é ser líder «também no online», apesar dos «problemas técnicos complicados» que o record.pt tem encontrado nos últimos tempos.

Em entrevista publicada na edição em papel do briefing de amanhã, Alexandre Pais referiu várias vezes a importância do site na estratégia do Record, revelando que, durante o Estoril Open, o record.pt ultrapassou os dois milhões de páginas vistas por dia.

«O desafio da internet também é para ganhar. O Record tem uma edição online que já foi, e vai voltar a ser, a mais vista de todos os sites de informação», referiu. Confrontado com a rentabilidade do site, Alexandre Pais disse que, se o site não fosse rentável, estaria fechado. «Se o record.pt não fosse rentável, com 9,5 milhões de visitas por mês, que sites é que dariam dinheiro em Portugal?», continuou.

Questionado sobre se tem ideia de quantos exemplares vende o jornal A Bola, que não é avaliado pela APCT, e como isso pode influir na estratégia editorial e comercial do Record, Alexandre Pais explicou que sim. «Temos [ideia de quantos exemplares vende A Bola todos os dias], claro. Mas se o dissesse muitas pessoas não iam acreditar».

«Em termos de publicidade, basta olhar para fazer as contas. Quanto às vendas, sabemos quanto baste», continuou. «Mas mais do que se passa na concorrência, interessa-nos o nosso jornal, o nosso mercado e os nossos leitores. Fazendo bem o nosso trabalho nunca seremos ultrapassados», explicou.

Em relação a uma possível internacionalização, um passo seguido recentemente por A Bola em mercados como Angola e, no futuro, África do Sul e Moçambique, o director do Record disse que essa não era uma prioridade.

«Depende do que entendermos por internacionalização. Se estamos a falar em participações de 10%, sem garantia de negócio, jamais iremos por aí. A nossa guerra ganha-se aqui, no papel, na internet e nas outras plataformas. Lá fora avançaremos apenas se encontrarmos os parceiros certos, algo que só a administração da Cofina está em condições de avaliar», frisou.

E continuou: «Se me mandarem fazer uma edição na Lua, hoje não temos, mas amanhã ficará pronta. O que eu não serei é director de um jornal que gasta papel a mais, que tem jornalistas a mais, que não gera valor para os accionistas e [que] não dá estabilidade àqueles trabalhadores que diariamente dão o seu melhor».

Alexandre Pais também não fugiu aos rumores de dispensas no Record, garantindo que não está previsto nenhum despedimento colectivo, mas que não deitará a mão «a quem, por teimosia, queira ficar para trás».

A crise na imprensa também foi abordada, com o responsável a garantir que o diário desportivo da Cofina fechou Abril com a publicidade «quase em linha com o orçamento e as vendas ligeiramente abaixo do mesmo período do ano passado». «Para a crise económica, e global, que atravessamos, não me parece nada mal», explicou.

Finalmente, Alexandre Pais referiu ainda estar satisfeito com a última reformulação gráfica, e que desta linha avançará para a próxima, provavelmente antes do fim do ano.

A saída de Rui Santos como colunista diário, o fecho da revista Dez e as opções editoriais do jornal nos últimos tempos são outros dos temas abordados nesta entrevista ao briefing, que poderá ser lida na edição em papel de amanhã.

O Record fechou o primeiro trimestre do ano com uma subida de 14,29% no Bareme, para os 9,6%, em relação ao período homólogo, e um aumento da circulação paga, nos primeiros dois meses do ano e segundo a APCT, de 6,3%, para os 72.455 exemplares. Em ambos os relatórios é líder de mercado nos desportivos.

Entrevista ao jornal “Briefing” de 15 Maio 2009

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