Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Emídio Rangel: partiu um vencedor

É quase sempre assim: chovem elogios sobre quem desaparece, mesmo que alguns deuses da chuva sejam aqueles que ontem tentaram travar a marcha de quem hoje tecem loas. A natureza humana tem essa faceta torpe.

O problema é que se Emídio Rangel foi para muitos um inimigo, um homem a abater, a sua dimensão, profissional e humana – digo eu que nunca trabalhei com ele e só lhe devo o exemplo, o que não é pouco – atingiu um patamar tão elevado que louvá-lo na hora da partida é o que resta aos que em boa verdade o odiaram.

Sinto que o pensamento do Emídio, antes do último suspiro, foi naturalmente para os seus, para os que amava, mas também para o seu percurso fantástico, carregado de grandes momentos e de vitórias únicas – e ainda de derrotas, daquelas de que só os maiores de todos conseguem desfrutar com a emoção com que saboreiam os êxitos.

Fica comigo a memória de alguém que foi de facto especial, que tinha um brilho de estrela e um talento que não cabia num país pequenino e de gente medíocre. Gente que perdeu – porque ele foi o vencedor.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 16AGO14