Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Em Portugal nada se resolve sem sofrimento

 

Pior ensaio-geral seria praticamente impossível. Uma derrota, e logo por 1-3, na “catedral” da Luz, não conta para nada mas desmoraliza muito.

Famílias inteiras regressaram ontem a casa, tristes e de bandeiras caídas, e as expetativas para o Europeu desceram a níveis mínimos. Até o penálti falhado por Cristiano, o terceiro em quatro possíveis e no espaço de um mês, ajuda a carregar o céu de nuvens sombrias.

Talvez não seja mau, se os jogadores não se deixarem ir abaixo e puxarem pelos galões da qualidade, já dentro de uma semana, frente à Alemanha.

Em 1984, fizemos um grande Europeu e não acusámos a derrota sofrida em Lisboa, 2-3, com a Jugoslávia, 12 dias antes. E já com Scolari, na preparação para o Euro’2004, que correu bem, perdemos em Guimarães, 0-3, com a Espanha, e em Braga, 1-2, com a Itália – além, claro, do 1-2 inaugural, perante a Grécia. 

Um mau ensaio pode resultar numa boa estreia. Assim as cabeças dos jogadores se mantenham serenas e a concentração seja total. Lá, quando for a doer, isso é que contará. O resto é próprio de um país que nada resolve sem nos fazer sofrer. 

Passe curto, crónica a publicar na edição impressa de Record de 3 junho 2012

 

Pior ensaio-geral seria praticamente impossível. Uma derrota, e logo por 1-3, na “catedral” da Luz, não conta para nada mas desmoraliza muito.
Famílias inteiras regressaram ontem a casa, tristes e de bandeiras caídas, e as expetativas para o Europeu desceram a níveis mínimos. Até o penálti falhado por Cristiano, o terceiro em quatro possíveis e no espaço de um mês, ajuda a carregar o céu de nuvens sombrias.
Talvez não seja mau, se os jogadores não se deixarem ir abaixo e puxarem pelos galões da qualidade, já dentro de uma semana, frente à Alemanha.
Em 1984, fizemos um grande Europeu e não acusámos a derrota sofrida em Lisboa, 2-3, com a Jugoslávia, 12 dias antes. E já com Scolari, na preparação para o Euro’2004, que correu bem, perdemos em Guimarães, 0-3, com a Espanha, e em Braga, 1-2, com a Itália – além, claro, do 1-2 inaugural, perante a Grécia. 
Um mau ensaio pode resultar numa boa estreia. Assim as cabeças dos jogadores se mantenham serenas e a concentração seja total. Lá, quando for a doer, isso é que contará. O resto é próprio de um país que nada resolve sem nos fazer sofrer.