Eleições na FPF: velho do Restelo vem para aqui agoirar

Ao cabo de nove anos, o leitor já me conhece: só quando se metem Belenenses ou Real Madrid ao barulho é que a minha independência abana. Tirando essas duas fidelidades, que vêm dos tempos de criança, posso dizer que, já em quase tudo, tanto se me dá como se me deu. Afinal, a crise que atravessa o Mundo faz com que tenhamos de relativizar a importância dos problemas e, em boa verdade, começo a não ter idade para me preocupar demasiado com o que não depende de mim.

É rigorosamente essa a posição que adoto quanto às eleições de hoje para a liderança da Federação Portuguesa de Futebol. Por minha vontade, “Record” não teria mesmo gasto tantas páginas – e a paciência dos leitores, ora – com as duas candidaturas. Só o peso de alguns nomes e o respeito que nos merecem justificaram a “generosidade” editorial. E não por consideramos menos importante esta eleição mas, ao contrário, por entendermos que as duas listas se equivalem e que a FPF ficará, vença quem vencer, bem entregue.

Se ganhar Fernando Gomes, teremos um presidente que conhece por dentro o futebol português – com todas as vantagens que isso poderá trazer. Mas se o triunfo couber a Carlos Marta, teremos então um presidente que não conhece por dentro o futebol português – com todas as vantagens que isso poderá trazer.

Tranquilo quanto ao vencedor e fazendo da gestão de Gilberto Madaíl um balanço positivo, o que me preocupa é outra coisa. É que possa não se aproveitar o final de um ciclo para mudar. Não o que correu bem mas o que podia ter corrido melhor. É que vejo nos dois candidatos alguma sobranceria, uns traços de vaidade, um certo deslumbramento pelo poder que vai chegar. Daí à alvorada da asneira será um passo. Mas isso não sucederá, claro. Velho, e do Restelo, eu é que estou para aqui a agoirar.

Canto direto, crónica publicada na edição impressa de Record de 10 dezembro 2011

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