Eis o abismo

 

Portugal teve sempre fantásticos jogadores e de há muito tempo a esta parte também excelentes treinadores. Já grandes dirigentes é que se contam pelos dedos, desgraçadamente.
E quem podemos considerar um “grande dirigente”? Quanto a mim, todos os que conseguem bons resultados desportivos e deixam depois o clube em melhor situação financeira do que aquela que encontraram. Conhece o leitor muitos exemplos deste duplo êxito? Eu não.
Para se dirigir um clube ou uma SAD há que possuir sólidos conhecimentos e experiência de gestão ou dispor da capacidade para se fazer rodear de quem possa desempenhar, com competência, esse papel principal.
Infelizmente, a cultura no futebol português foi a do recurso a mestres de obras bem sucedidos na especulação imobiliária, ou noutras, e capazes de adiantar uns cheques a troco de uma exposição mediática que pudesse satisfazer uma vaidade abalada pelo anonimato. Sabemos o que aconteceu: em busca da glória rápida, os “patos bravos” arruinaram os clubes e deixaram a porta para fechar a quem veio depois deles. Foi o que se passou, por exemplo, com o “meu” Belenenses, hoje nas mãos não dos seus associados, mas dos homens-providência que liquidaram, com dinheiro vivo, dívidas atrás de dívidas.
Escrevo isto a olhar para a classificação da Liga e para o excelente 4.º lugar do Paços de Ferreira. Que os grandes, dominados por sonhos europeus e pela exigência persecutória dos seus adeptos, se endividem, ainda se pode entender, mas os outros? 
O Paços é demonstração firme de que é possível ter a uma equipa a lutar pela Liga Europa sem deixar aos vindouros as contas para pagar. E o mesmo se poderá dizer do Sp. Braga, ao qual António Salvador deu a dimensão justa sem perder ambição e sem abandonar os princípios de uma gestão rigorosa.
O drama está nos que têm o abismo à sua frente e continuam a correr. Vão acabar mal porque os tempos que correm são como vampiros: procuram vítimas e alimentam-se de sangue.


Portugal teve sempre fantásticos jogadores e de há muito tempo a esta parte também excelentes treinadores. Já grandes dirigentes é que se contam pelos dedos, desgraçadamente.

E quem podemos considerar um “grande dirigente”? Quanto a mim, todos os que conseguem bons resultados desportivos e deixam depois o clube em melhor situação financeira do que aquela que encontraram. Conhece o leitor muitos exemplos deste duplo êxito? Eu não.

Para se dirigir um clube ou uma SAD há que possuir sólidos conhecimentos e experiência de gestão ou dispor da capacidade para se fazer rodear de quem possa desempenhar, com competência, esse papel principal.

Infelizmente, a cultura no futebol português foi a do recurso a mestres de obras bem sucedidos na especulação imobiliária, ou noutras, e capazes de adiantar uns cheques a troco de uma exposição mediática que pudesse satisfazer uma vaidade abalada pelo anonimato.

Sabemos o que aconteceu: em busca da glória rápida, os “patos bravos” arruinaram os clubes e deixaram a porta para fechar a quem veio depois deles. Foi o que se passou, por exemplo, com o “meu” Belenenses, hoje nas mãos não dos seus associados, mas dos homens-providência que liquidaram, com dinheiro vivo, dívidas atrás de dívidas.

Escrevo a olhar para a classificação da Liga e para o excelente 4.º lugar do Paços de Ferreira. Que os grandes, dominados por sonhos europeus e pela exigência persecutória dos seus adeptos, se endividem, ainda se pode entender – embora a fatura chegue sempre – mas os outros? 

O Paços é demonstração firme de que é possível ter a uma equipa a lutar pela Liga Europa sem deixar aos vindouros as contas para pagar. E o mesmo se poderá dizer do Sp. Braga, ao qual António Salvador deu a dimensão justa sem perder ambição e sem abandonar os princípios de uma gestão rigorosa.

O drama está nos que têm o abismo à sua frente e continuam a correr. Vão acabar mal porque os tempos que correm são como vampiros: procuram vítimas e alimentam-se de sangue.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 5 janeiro 2013

 

Partilhar

Os comentários estão fechados.