E se for o PAN a mandar?

As últimas legislativas deixaram a descoberto a nova fórmula para se ganharem eleições: meia dezena de sondagens a apontarem um vencedor destacado, ao longo de semanas, é caminho certo para transformar em abstencionistas os que não gostam de apostar no perdedor. Não foi, evidentemente, o que aconteceu agora, mas fica a ideia. Quem estiver em desvantagem deve promover a criação de uma empresa para apresentar números contraditórios, lançar a confusão e manter o suspense até final.

Mais a sério: a única sondagem que falhou foi, no dia 4, a da abstenção, com o resultado a ultrapassar o limite máximo previsto. E porquê? Porque o mundo da política é igual ao da cultura e ignora o fenómeno do futebol. E no domingo o Benfica jogava às 16 – hora a partir da qual as urnas passaram das assembleias de voto para a frente dos televisores –, o FC Porto às 18 e 15, o Real Madrid às 19 e 30, e o Sporting às 20 e 30. Calcular para as derradeiras três horas de votação uma afluência idêntica à do resto do dia fez deixar fugir uma vitória por KO.

E termino com um susto: e se o PSD, desta vez, não tiver os habituais três dos quatro deputados da emigração mas apenas dois e os outros dois forem para o PS? É que a coligação leva o mesmo número de deputados que os socialistas e o Bloco juntos, 104, o que pode tornar o esquecido homem do PAN na maior vedeta da Nação. Pobre País que tanto sofres!

Observador, Sábado, 8OUT15

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