E aqui apago o fogo do ex-ministro Rui Pereira

Não falta quem critique o afã nobilitário de Cavaco Silva nos últimos dias de Presidência. Não acompanho essas críticas, pois considero existir em Portugal um défice de reconhecimento do mérito e da dedicação à causa pública.

Das condecorações de ontem, em Belém, quero destacar a que foi atribuída a Rui Pereira, ex-ministro da Administração Interna. Faço-o por sentido de justiça mas também por má consciência – preciso de exorcizar um fantasma. É que num dos verões em que Rui Pereira era titular da pasta responsável pelos meios de combate aos fogos florestais, o país ardia de norte a sul e eu tremia quando ele aparecia na televisão a dar “garantias” de que tudo estava controlado. E atribuí-lhe, então, uma culpa que não era sua, mas apenas da Natureza, dos criminosos e da negligência coletiva.

Nos quase três anos que Rui Pereira leva como comentador da CMTV, passei de seu crítico primário a admirador, e aqui sim, por motivos sólidos: seja qual for o tema em análise, ouço-lhe sempre um discurso lúcido e equilibrado, marcado pela lógica e pelo conhecimento – e por um tom sereno e pedagógico que me ajuda a formar a minha própria opinião. E com esta reparação escrita, apago uma estúpida chama que ardia em mim.

Antena paranoica, CM, 13FEV16

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