Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Duas razões: numa o Benfica, na outra Hugo Almeida

Os responsáveis do Benfica, sempre de faca afiada para a comunicação social – e mais ainda numa altura em que, entrando as bolas na baliza “errada”, é preciso arranjar desculpas – ameaçam agora com a não comparência nas entrevistas, no final dos jogos, para evitar perguntas embaraçosas na atual conjuntura.

Eis-nos perante uma situação em que se deve reconhecer a justeza dos seus argumentos, já que a esperteza saloia de alguns repórteres não pode alterar, unilateralmente, as regras do jogo. Mesmo tendo em conta que o jornalista é, por natureza, um perguntador, a razão está, neste caso, do lado do Benfica.

Mudando de assunto: tenho admiração por Hugo Almeida , um ponta-de-lança que pode ser útil a qualquer boa equipa. Mas não estou a ver o que poderá acrescentar a Benzema – mais novo cinco anos – que custou 35 milhões de euros ao Real Madrid e que, mesmo a (não) jogar o que se viu em Camp Nou, ainda valerá pelo menos os 30 milhões que o Arsenal oferece por ele.

Se Mourinho quiser competir com o Barcelona e com outras grandes equipas, terá de subir a fasquia e apostar num goleador mais móvel, mais rápido e mais talentoso. Com mais do mesmo a sua missão será… impossível.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 1 dezembro 2010