Dr. Pôncio: desaparece o comentador que não enganava

Quando cheguei ao Record, há quase oito anos, estavam na estrada alguns processos judiciais contra jornalistas cá da casa, por suposto delito de opinião, em que o queixoso era Pôncio Monteiro.

Os artigos alvos da indignação do dirigente portista tinham, invariavelmente, a mesma caraterística: a denúncia do seu espírito parcial e inflamado na defesa do FC Porto.

Não compro essas dores, admirador que fui da inteligência e da frontalidade do dr. Pôncio, que não era, nem queria ser, um analista imparcial e desapaixonado do fenómeno futebolístico. Ou seja, quando o escutávamos, sabíamos ao que íamos, ele não enganava ninguém.

Digo isto porque como diretor do jornal faço questão de honrar tanto as cumplicidades que estabelecemos como os ódios que criamos, e sou solidário – na concordância e na discordância – com tudo o que, até ao dia de hoje, foi publicado nestas páginas. E com os seus autores.

Pôncio Monteiro não só não esperaria qualquer palavra de elogio de Record como, se pudesse, a dispensaria. Respeitarei essa vontade, recusando apenas, na hora do seu desaparecimento, considerá-lo um inimigo. Que descanse em paz.

Passe curto, crónica publicada na edição impressa de Record de 22 dezembro 2010

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