Domingos de histeria na televisão

A publicidade levou uma volta com a crise. A quebra do investimento clássico, com empresas a fecharem e outras forçadas a cortes drásticos, juntou-se à fragilidade de argumentação dos meios e ao aumento dos descontos para captar clientes. É assim que surgem anúncios “low-cost”, que vão desde os cremes que transformam gordas em magras aos robôs que aspiram a sala – talvez depois de levantarem a mesa e lavarem a loiça – tudo com produções básicas, amadoras, o verdadeiro terror em vídeo.

Por sorte, vive-se em época de euforia nas chamadas de valor acrescentado, e as tardes de domingo, na SIC e na TVI, mostram bem a necessidade de esticar ao máximo uma faturação que permite dar 50 mil euros – ou 125 mil!!! – ao sortudo escolhido pelo computador. Se isso viabiliza o negócio, força. Dramática, mesmo, é a histeria da última hora, que antecede os telejornais da noite, com apresentadores de primeira e colegas de perfil modesto, desesperados e de mãos dadas, a alternarem música-pimba com súplicas aos telespetadores para que telefonem, telefonem, telefonem. Uma tortura.

Antena paranoica, CM, 7DEZ13

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