Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Dois homens, duas perdas

“O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo” – Arthur Schopenhauer, filósofo alemão

Rangel, anos 90a

Emídio Rangel: visionário, genial e injustiçado

Na hora do adeus, Emídio Rangel recebeu os elogios que lhe faltaram em vida. Não, claro, quando era influente, quando podia dar trabalho ou recusar empregos, na SIC, mas quando a sua estrela de poder começou a empalidecer. Aí, revelaram-se os homens de carácter – como Nuno Santos, que arranjou forma de promover a reaproximação – mas não se aprofundou o reconhecimento de que houve em Portugal uma rádio e uma televisão antes e depois de Rangel. Com excepção dos meses de ilusão na RTP, nunca mais o jornalista genial e o visionário encontraram trabalho à medida do grande capitão que fazia as coisas acontecerem.

Pires Veloso: nem a queda do heli o venceu

Deixou-nos há dias, aos 88 anos, o general Pires Veloso. Foi ele quem, no Porto, apoiou a resistência de Ramalho Eanes, em Lisboa, à tentativa de golpe de estado de 25 de Novembro de 1975, tendo desistido da candidatura às presidenciais de 1976, para as quais era o preferido de Sá Carneiro – até o PS apoiar Eanes. Tinha a personalidade do sobrevivente: um helicóptero despenhou-se com ele a bordo, mas uma árvore amorteceu a queda e Pires Veloso, com múltiplas fracturas, viu as maiores figuras políticas do país fazerem fila à porta do seu quarto no hospital. Depois, claro, esqueceram-se dele, um clássico.

Parece que foi ontem, Sábado, 21AGO14