Dois casos de bruxaria

Não vale a pena chorar sobre o leite derramado: o Benfica perdeu no Dragão porque jogou pouco e teve falta de sorte, e fica sem a Liga Europa, apesar de ter jogado muito e bem, por nada mais do que azar. Dois golos letais sofridos aos 90 minutos + 2 e aos 90 + 3, em dois embates consecutivos, são casos de bruxaria.

Certo é que seria particularmente difícil ao Benfica recuperar do tremendo desgaste físico e psicológico sofrido na partida do Dragão, que começou com os encarnados fortes candidatos ao “tri” – Campeonato, Taça e Liga Europa – e terminou com uma equipa que continuava candidata a tudo, é certo, mas já diminuída no seu “espírito positivo”, após o remate intuitivo e mortal de Kelvin.

Na realidade, este período negro, que pode fazer terminar uma época brilhante apenas com a Taça de Portugal nas vitrinas da Luz – se o V. Guimarães não o conseguir evitar, claro – já se iniciara com o empate caseiro frente ao Estoril, que impediu Jesus de gerir o plantel no Dragão, poupando jogadores nucleares para o confronto de Amesterdão. 

O “filet mignon” todo utilizado em cinco dias, contra adversários poderosos e no final de época longa e arrasante, só poderia ter os efeitos que se esperavam, ou seja, uma equipa sem frescura física para desenvolver aquele que é talvez o seu ponto mais forte: o caudal atacante que “sufoca” o adversário e que raramente não chega aos golos.

Pois a verdade é que Jorge Jesus fez um notável trabalho de recuperação psicológica dos jogadores, a tal ponto que no Arena a equipa proporcionou-nos uma noite de motivação, espírito competitivo, talento e abnegação. Mais: deu um “banho de bola” ao Chelsea em diversos períodos e dominou de forma geral os acontecimentos.

Agora, há situações para as quais treinadores ou jogadores alguns estão preparados, situações já vistas e sempre diferentes, e que fazem parte do inesperado e do futebol. Mas confesso que temi o pior para o Benfica quando um central entrou para trinco, já perto do fim, no Dragão. E foi por aí. E senti o mesmo ontem, ao ver outro central a ser chamado. E voltou a ser por aí: ambos falharam no ataque à bola. Pensei nisso por acaso, juro – o bruxo desta história anda por aí e é outro.

Minuto 0, publicado na edição impressa de Record de 16 maio 2013

Não vale a pena chorar sobre o leite derramado: o Benfica perdeu no Dragão porque jogou pouco e teve falta de sorte, e fica sem a Liga Europa, apesar de ter jogado muito e bem, por nada mais do que azar. Dois golos letais sofridos aos 90 minutos + 2 e aos 90 + 3, em dois embates consecutivos, são casos de bruxaria.
Certo é que seria particularmente difícil ao Benfica recuperar do tremendo desgaste físico e psicológico sofrido na partida do Dragão, que começou com os encarnados fortes candidatos ao “tri” – Campeonato, Taça e Liga Europa – e terminou com uma equipa que continuava candidata a tudo, é certo, mas já diminuída no seu “espírito positivo”, após o remate intuitivo e mortal de Kelvin.
Em boa verdade, este período negro, que pode terminar apenas com a Taça de Portugal nas vitrinas da Luz – se o V. Guimarães não o conseguir evitar, claro – já se iniciara com o empate caseiro frente ao Estoril, que impediu Jesus de gerir o plantel no Dragão, poupando jogadores nucleares para o confronto de Amesterdão. 
O “filet mignon” todo utilizado em cinco dias, contra adversários poderosos e no final de época longa e arrasante, só poderia ter os efeitos que se esperavam, ou seja, uma equipa sem frescura física para desenvolver aquele que é talvez o seu ponto mais forte: o caudal atacante que “sufoca” o adversário e que raramente não chega aos golos.
Pois a verdade é que Jorge Jesus fez um notável trabalho de recuperação psicológica dos jogadores, a tal ponto que no Arena a equipa proporcionou-nos uma noite de motivação, espírito competitivo, talento e abnegação. Mais: deu um “banho de bola” ao Chelsea em diversos períodos e dominou de forma geral os acontecimentos.
Agora, há situações para as quais treinadores ou jogadores alguns estão preparados, situações já vistas e sempre diferentes, e que fazem parte do inesperado e do futebol. Mas confesso que temi o pior para o Benfica quando um central entrou em campo, já perto do fim, no Dragão. E foi por aí. E senti o mesmo ontem, ao ver outro central a ser chamado. 
E voltou a ser por aí: ambos falharam no ataque à bola. Pensei nisso por acaso, juro – o bruxo desta história anda por aí e é outr

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