Discurso de Mestre não foi de mestre

Devo ser sincero com os meus leitores: não gosto de secretários de Estado. Desde que Cavaco Silva, nos seus bons e distantes tempos, lhes chamou “ajudantes” de ministro, que tomei verdadeira consciência do pouco que normalmente valem. Exceção feita, claro está, aos que rompem com o perfil que se foi criando por força da demagogia. E que atribuiu aos governantes salários que fazem ter ao serviço do País não os melhores, mas os que nada têm a perder em largar a vida profissional, se a tiverem, e encontram numa secretaria de Estado a oportunidade para “subir na vida”, por escasso tempo que seja.

Cheguei ao Record quase na mesma altura em que Hermínio Loureiro assumiu a secretaria do Desporto e fugi logo ao almoço de “apresentação” que se pretendeu fazer com os diretores dos três diários “desportivos”. Fiz bem, até porque em nada apreciei a sua passagem pelo cargo, como aqui fui dando conta. Corrigi, mais tarde, com a presidência da Liga, a ideia que havia formado, e sublinhei, como era justo, o seu desempenho.

Sobre Laurentino Dias pouco escrevi, já que o seu consulado no Desporto ficou marcado por mais arrogância do que méritos. E só espero que António José Seguro resista aos lóbis intestinos que influenciam as decisões e não nos volte a impingi-lo quando, e se, for primeiro-ministro.

Agora temos Alexandre Mestre, uma figura mais apagada que os seus antecessores, mas com um “conteúdo” de que é legítimo esperar trabalho positivo. Ou pelo menos era, já que depois do extenso discurso que fez no jantar do 103.º aniversário do Comité Olímpico de Portugal, criticando o presidente do COP na sua própria casa sem lhe ter dado prévio conhecimento daquilo a que se propunha, tenho sérias dúvidas sobre a sua capacidade para unir as forças do desporto e do movimento associativo.

Não sei se as ideias de Vicente Moura estão certas ou se é o Governo que tem razão, mas não acredito em arrivistas. A ética não é uma batata.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 1 dezembro 2012

Tenho que ser sincero com os meus leitores: não gosto de secretários de Estado. Desde que Cavaco Silva, nos seus bons e distantes tempos, lhes chamou “ajudantes” de ministro, que tomei consciência do pouco que normalmente valem. Exceção feita, claro está, aos que rompem com o perfil que se foi criando por força da demagogia. E que atribuiu aos governantes salários que fazem ter ao serviço do País não os melhores, mas os que nada têm a perder em largar a vida profissional, se a tiverem, e encontram numa secretaria de Estado a oportunidade para “subir na vida”, por escasso tempo que seja.
Cheguei ao Record quase na mesma altura em que Hermínio Loureiro assumiu a secretaria do Desporto e fugi logo ao almoço de apresentação que se pretendeu fazer com os diretores dos três diários “desportivos”. Fiz bem, até porque em nada apreciei a sua passagem pelo cargo, como aqui fui dando conta. Corrigi, mais tarde, com a presidência da Liga, a ideia que havia formado, e sublinhei, como era justo, o seu desempenho.
Sobre Laurentino Dias pouco escrevi, já que o seu consulado no Desporto ficou marcado por mais arrogância do que méritos. E só espero que António José Seguro resista aos lóbis intestinos que mandam no Largo do Rato e não nos volte a impingi-lo quando, e se, for primeiro-ministro.
Agora temos Alexandre Mestre, uma figura mais apagada que os seus antecessores, mas com um “conteúdo” de que é legítimo esperar trabalho positivo. Ou pelo menos era, já que depois do extenso discurso que fez no jantar do 103.º aniversário do Comité Olímpico de Portugal, criticando o presidente do COP na sua própria casa sem lhe ter dado prévio conhecimento daquilo a que se propunha, tenho sérias dúvidas sobre a sua capacidade para unir as forças do desporto e do movimento associativo.
Não sei se as ideias de Vicente Moura estão certas ou se é o Governo que tem razão, mas não acredito em arrivistas. A ética não é uma batata.

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