Diário de Lisboa: há 45 anos a vida mudou

Em fevereiro de 1972, o jornalista José Neves de Sousa, chefe da secção de Desporto do Diário de Lisboa, perguntou à minha mãe se eu ainda queria ser jornalista – estava desde 1964 na Emissora Nacioinal e trabalhava, na altura, no apoio técnico aos serviços de notícias. Claro que aceitei sem hesitar.

Em 1973, deixei o Desporto e passei a coordenar a secção de Cultura e Espectáculos. Foi um período de forte aprendizagem

Foi um começo difícil, já se escrevia à máquina e eu parecia um pinto a debicar na areia. O subchefe de redação não ia com a minha cara, e o chefe, Armindo Blanco, pessoa intratável, depressa me pôs a andar. Mas o Neves de Sousa puxou-me para a sala dele e, com a ajuda do Luís de Sttau Monteiro, que me deu também guarida no suplemento satírico A Mosca, que coordenava, conseguiu-se tornear a animosidade do Armindo, que viria, aliás, a durar pouco tempo no cargo.
Com Manuel de Azevedo e Fernando Dacosta na chefia, no verão de 1973 já tinha sob a minha responsabilidade a secção de Cultura e Espectáculos, ainda que só em 1975 a administração me viesse a integrar no quadro. Em 1976, sairia para o Jornal Novo.
Foi um dos melhores períodos da minha vida: de manhã o jornal, à tarde a rádio, à noite o grupo de teatro. O pior era a família, de que não pude desfrutar – e como hoje o lamento. Guardo, assim, sem saudosismo e com ternura, a imagem de tantos jornalistas inimitáveis e companheiros magníficos, marcos de um tempo que não voltará.
Parece que foi ontem, Sábado, 9FEV17

No suplemento A Mosca, dirigido pelo Sttau Monteiro, tentava-se fintar a Censura, o que por vezes se conseguia. Pura diversão!

Em poucos meses, percorri dezenas de clubes populares, que enfrentavam dificuldades inacreditáveis para sobreviver. No Clube Desportivo de Pedrouços, a direção reuniu-se para dar explicações ao repórter

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